sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Clarice, sempre ela

"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre."
Clarice Lispector

domingo, 12 de dezembro de 2010

Quer a minha mão?

Te dou a mão, o pé, o joelho, tudo...


...sem direito a devolução ou troca.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Dizem que a vida é feita de altos e baixos. Os homens baixos são os que gostam de mim. Essa é minha vida.

domingo, 28 de novembro de 2010

"Eu quero o silêncio das línguas cansadas..."

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Viagem

Eu tenho bagagem. Trecos sem utilidade, maquiagens baratas, roupas coloridas e remédio para prisão de ventre.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Para você

Declaro hoje publicamente o meu amor por você. Amor novo, porém maduro. Tranquilo e seguro. Assumo, tive medo, mas foi a possibilidade do engano é que foi me transformando. Fui buscando espaço dentro do seu abraço. E descobri que em você mora sorrisos. Luz. Força. Descobri também que ansioso faz loucuras para ultrapassar etapas, inclusive confessar os pecados. E eu, segurando suas declarações efusivas para o momento certo. Se é que existe esse momento. Descobri um homem que só tem um lado – mesmo que seja o errado. Era sortuda, mal sabia, encontrei você. Admiti, aos poucos, que quero você na minha vida. E sei que você me quer na sua. Descobri que te amava. Os momentos de alegria se multiplicam a cada dia. Descobri um homem com tantas qualidades que não consigo enumerar. O que me leva a crer que – diante do que estamos vivendo – estamos no caminho certo. Descobri que posso viver o amor como manda o figurino, com direito a final feliz [the end].

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Na 3ª pessoa

Relações Públicas, mas nem sempre sabe se relacionar. Invariavelmente bem-humorada. Possivelmente inadequada. Notívaga inoportuna. Cuidadosamente atrapalhada – sempre quebro ou derrubo alguma coisa. Romântica e piegas. Cotovelos falantes. Tímida quando convém. Workaholic. É devota de Santa Clara e admira os preceitos budistas. Socialista. Adora fazer rir, mesmo sem ser engraçada. Consumidora compulsiva de futilidades. Tem lapsos de extrema extroversão. Apaixonada por um homem de direita, torcedor do Santa Cruz e mais baixinho que ela. Tem verdadeira ojeriza às injustiças sociais. Educada e não suporta puxa-sacos. Paga para não entrar numa briga, mas se tiver que entrar pode se preparar para correr. Adora política, odeia politicagem. As vezes, socialmente alcoolizada. Mantém segura distância de chatos, fanáticos religiosos e conquistadores baratos. Sonha em ser mãe de um menino. Amiga para o que der e vier – apóia e embarca nos sonhos mais mirabolantes. Amante da Bossa, do samba e da boemia. Escritora de banalidades. Contraditória. Acima de qualquer suspeita. Freud não explica.

Carpinejando

‎"Liberdade na vida é ter um amor para se prender."

http://www.carpinejar.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quando algo se torna um fardo é hora de mudar por dentro e por fora.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A quem ou a que não se pode resistir

Quatro coisas irresistíveis: chocolate, dormir, eloquência inteligente e sexo de manhã. Não necessariamente nessa ordem.

sábado, 23 de outubro de 2010

Lição do dia

Nunca prefira o fundo do poço. Eu não quero conhecer esse lugar, é passagem só de ida. Vamos para Paris?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Entendi que quanto mais me boicoto, encontro a minha verdade. E vou aprendendo a ser o que eu quero ser.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Palavras de dor

O cruel raramente usa da violência física – tortura pela linguagem. Cheguei a conclusão que a crueldade nasce das palavras. Elas espezinham até as lágrimas. Depreciam e humilham até o chão. Assediam toda sua confiança. Batem cada letra até sangrar. Tudo começa num olhar de censura, até que a mente é invadida e devastada como quem leva uma surra. Um estupro ou coisa parecida. A mentira torna-se pura verdade. A ira torna-se mão amiga. Um tapa alento. É algo que vive entre o amor e a pervesidade. Invasão que esmaga – lenta e gradual – cada pedaço do seu amor, aquele tão precioso amor por você mesmo. Até que você começa a absorver as palavras e se perde dentro do que sempre acreditou. E sem que sequer perceba, a tristeza vem e te toma.

domingo, 10 de outubro de 2010

Quer casar comigo?

Sim.

Menina de trinta

"Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura..."

(Martha Medeiros)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Impulsividade, dose dupla e sem gelo por favor? Desce pela garganta como as melhores bebidas. Pega rápido e dá coragem. O ruim é a ressaca. Mas quem tem medo de ressaca bebe leite.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Insônia: pensamentos em transe.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Assim seja

Se suas palavras efusivas não são da boca para fora, então que a sua paixão torne-se amor e verdade.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ela procurava um caminho. Há, pois, vários caminhos que nos levam a muitos lugares. Mas, quando não se sabe que caminho seguir, ele nos segue. Ela não sabia. De olhos vendados – passos medrosos e lentos – ia arrastando o caminho pela vida. Misterioso, infame, cismava em não desvelar-se.

domingo, 12 de setembro de 2010

Nem começo, nem fim

No meu coração não habita mais o silêncio – ele ama. Não, já não mando mais em mim. E aqui dentro, eu não sei mais se é noite ou se é dia. O amor cumpre a sua verdade, alheia à transparência do medo. Apenas recolho o que em mim observo e não lembro sequer o que outrora existia. Prefiro acreditar que o passado eu amargamente inventei. Abandono a submissa rebeldia e me permito sentir. Nem começo, nem fim. A vida gira no seu interminável fuso. Abro a porta e me arremesso nos braços dele. E o amor – real e possível – volta a fazer parte dos meus dias.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Hoje é o meu aniversário

Dizem que a mulher é mais mulher depois dos 30 anos. E de repente, ando me descobrindo no tempo. Antes, vivia no espaço, sem pensar nos minutos, nos dias. E viver no espaço é mais fácil e deslizante. Planar sem medo pela existência. Agora, vejo mais qualidade que quantidade. Tomo goles a menos. E não tenho mais turmas por onde passo, apenas poucos e bons amigos. Hoje depois de tantas aventuras por terras desconhecidas já consegui me autocartografar por inteira. Eu sei quem eu sou. Descobri outra dimensão além dos dedos da mão. E de repente percebi que mesmo juntando os dedos dos pés não consigo dizer a minha idade. Eu não olho mais para o passado, planejo o futuro. E vejo que aquele sonho de viajar o mundo sem roteiro ficou para trás, hoje eu quero uma família. Carrego na minha mala festas, viagens, namoros, bebedeiras, boas e más amizades, além de histórias hilárias. Amei, fui amada e já sofri. Escolhi minha profissão e até hoje não ganhei dinheiro com ela. E ainda não consegui me organizar financeiramente e juntar ao menos R$ 0,50 por mês. A mulher que me tornei prefere sabores requintados ao hot dog. Come bastante pimenta e mostarda sem fazer careta. E tem 10kg a mais que não consegue perder, jogar no lixo. Mas essa mesma mulher, ainda não conheceu outros países, não subiu o Cristo Redentor, não conseguiu o emprego dos sonhos e ainda não foi mãe [meu maior desejo]. E tantos e tantos outros projetos e sonhos. A mulher que eu sou hoje sabe que pode conseguir tudo que deseja, basta trabalhar e ter fé. Não sou madura ainda, digamos que estou ficando doce mas ainda não caí do pé. Estou pronta para aprender com a fase dos 30, ou mais. A minha mãe sempre diz que essa foi a melhor fase da vida dela, onde ela se sentiu mais mulher, mais segura. Acho que isso deve ser genético.

sábado, 28 de agosto de 2010

Eu, Alice

Eu queria viver no mundo de Alice. Um universo caótico [ficcional] feito de fantasia. Nada real, nada a ver com coisa alguma. O País das Maravilhas convida ao estranhamento do mundo desligando Alice [nós] da realidade, que nem sempre é boa — nem sempre é feliz. Os encontros dela nos chamam para usar a capacidade de reordenar as significações, redefinindo nossos próprios limites. E eu preciso disso. Conselhos de uma Lagarta, filosofia profunda que está posta a própria existência em questão. Transformações sofridas e encontros no mínimo inusitados na toca do coelho, longe da família, da escola, das atividades e círculos sociais próximos, a resposta poderá ser errada, porque requer de Alice retomar a própria essência — desconcerto, confrontando sem desvelar-se. Assim como Alice, eu quero desarticular o mundo instituído, sem respostas socialmente aceitas e esvaziadas de significação. Ah, eu tive um sonho tão esquisito! — diz Alice. E assim eu acordasse do sonho para viver a realidade, mas com a capacidade de me maravilhar com as pequenas coisas da vida.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Medo de quê?

Não tenha medo de me perder — seu medo me perde de mim mesma. E de você. Se falares mais, posso me esvair sem que você perceba. Então se debruce sobre o que estamos vivendo, e me olha como sua. Não toma conta apenas do espaço — me toma. Diga quem manda. Seguro — me segure firme. Só assim serei sua por inteiro.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Eu vi a mulher preparando outra pessoa..."

E sem entender ao certo o que estava acontecendo, descobriu que alguém estava crescendo dentro dela. O resultado foi positivo. E pensou que ela já não era mais criança, adolescente, mulher e esposa. Ela ia ser mãe, e sua história agora sim iria começar. Os pensamentos flutuavam enquanto a família e os amigos estavam radiantes de felicidade. E lá, dentro dela, o amor passou a existir em sua plenitude.
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(Algumas histórias se repetem na vida de toda mulher. Mas essa ainda não é minha história...ela hoje tem dona e eu sou uma das radiantes amigas)

sábado, 21 de agosto de 2010

Inspiração, contagie-me!




Conclusão

Misturo pessoas e bebidas, ambas dão ressaca. E uma baita dor de cabeça.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Debaixo do braço

Acordes quem sôam com uma velha cantada. O som seduz numa linguagem que só o coração compreende. O violão é o vilão das boas maneiras e das boas moças.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Início do início

Os dois apenas se entreolhavam durante um beijo e outro no sofá da sala. Amassos e abraços. Sussurravam mais do que conversavam — pouco tempo iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos e não sabiam que nome dar ao que estavam sentindo — apenas sabiam que ainda não era o amor. Era algo sem nome. Ela raramente se presenteava com sentimentos que não tem nome. O suor escorria do rosto e as palavras continuavam mudas naquele velho sofá. Para quebrar o silêncio, ele contava piadas e mais piadas sem graça, apenas para vê-la sorrir. E inventava histórias sobre o futuro dos dois para dar esperança de um final feliz para aquele tão breve romance. E isso amedrontava ela, pois um dia já sonhou demais ao ponto de confundir a realidade — tinha medo — medo de se ver nele. Ela não tinha como esconder de si mesma a embriaguez de estarem juntos. E a vontade da sua presença. Ele gostava das bebidas mais fortes sem moderação, das idéias mais complexas e dos sentimentos mais intensos, e apesar de dar medo de uma certa maneira a inspirava. A coragem de ousar é inspiradora. Ele queria mais dela. Ele queria ela na sua vida. E a vida queria fazê-la aprender a enxergar com os olhos do equilíbrio. Equilíbrio entre o coração e a razão. Ela riu sem graça para ele, apagou a luz da sala, e voltou a beijá-lo sem pensar em mais nada.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pressupõe que existem mais coisas entre o céu e a terra. Mas nunca viu, ouviu ou sequer tocou — mas sentiu — perfumando a sua existência. Sentia que precisava de ajuda. Dos que não se pode ver, apenas crer. Da luz que não se limita ao fim do túnel. Da fé inabalável. Precisava perceber que nunca estamos sozinhos. Ela vem aprendendo — aprendendo a caminhar.

domingo, 15 de agosto de 2010

Ninguém duvide

Eu quero sentir como você e aprender a amar novamente — suspirou e baixou os olhos com timidez. E ninguém duvide — ninguém, ninguém — dos meigos olhos que suspiravam. E do coração ainda capaz de amar.

domingo, 8 de agosto de 2010

Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai, que Sois todo poder e bondade, daí força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.
Deus! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. Pai! Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai. Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo o que criastes.
Piedade, Senhor, para aqueles que não Vos conhecem; esperança para aqueles que sofrem. Que vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé. Deus! Um raio, uma faísca do Vosso amor pode abrasar a terra. Deixai-nos beber das fontes desta bondade fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão. Um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor. Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, Oh! Poder. Oh! Bondade. Oh! Beleza. Oh! Perfeição. E queremos de alguma sorte, alcançar Vossa misericórdia.
Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a razão, dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se deve refletir Vossa imagem.
Espírito: CÁRITAS
Médium: Madame W. Krill – Bordeaux – França
Psicografada em 25 de dezembro de 1873
Que essa oração possa ajudar a quem precisa de fé.

domingo, 1 de agosto de 2010

Flor de Obsessão

Texto de Nelson Rodrigues

- O adulto não existe. O homem é o menino perene.
- Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.
- A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença numerosa de um amigo real.
- Amar é ser fiel a quem nos trai.
- Toda autocrítica tem a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto.
- Só acredito na bondade que ri. Todo santo devia ser jucundo como um abade da Brahma.
- O brasileiro é um feriado.
- Os jardins de Burle Marx não têm flores. Têm gramados e não flores. Mas para que grama, se não somos cabras?
- A burrice é a pior forma de loucura.
- No Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte. O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer.
- O carioca é o único sujeito capaz de berrar confidências secretíssimas de uma calçada para outra calçada.
- Num casal, pior que o ódio, é a falta de amor.
- O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira.
- Geralmente, o puxa-saco dá um marido e tanto.
- O carioca é um extrovertido ululante.
- As bodas de prata são, via de regra, uma festa cínica que finge comemorar um amor enterrado.
- O pior cego é o surdo. Tirem o som de uma paisagem e não haverá mais paisagem.
- Os que choram pouco, ou não choram nunca, acabarão apodrecendo em vida.
- Gosto do cigarro que me queime a garganta. O fumo suave não passa de um ópio de gafieira.
- Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
- Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.
- Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica.
- Numa simples ginga de Didi, há toda uma nostalgia de gafieiras eternas.
- Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação.
- Djalma Santos põe, no seu arremesso lateral, toda a paixão de um Cristo negro.
- A educação sexual só devia ser dada por um veterinário.
- Eu, como artista, se tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: — "Aqui jaz Nelson Rodrigues, assassinado pelos imbecis de ambos os sexos".
- Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado.
- Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer.
- Toda família tem um momento em que começa a apodrecer. Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. Lá um dia aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo.
- A família é o inferno de todos nós.
- A fidelidade devia ser facultativa.
- O gordo só é cruel na mesa, diante do prato, com o guardanapo a pender-lhe do pescoço.
- D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.
- Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:— quatorze anos!
- O jovem só pode ser levado a sério quando fica velho.
- Hoje, a primeira noite é a centésima, a qüinquagésima. O casamento já é uma rotina antes de começar.
- O ser humano está mais para Lucho Gatica do que para Paul Valéry.
- O que se está fazendo aqui é uma música popular brasileira que não é popular, nem brasileira e vou além: — nem música.
- Aqui o branco não gosta do preto; e o preto também não gosta do preto.
- Amigos, eis uma verdade eterna: — o passado sempre tem razão.
- Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
- O pobre, para sobreviver, precisa da pornografia.
- O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato.
- O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.
- É impossível ser ridículo dentro de uma Mercedes.
- Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.
- A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.
- No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua.
- Uma dor de viúva dura 48 horas.
- Todo óbvio é ululante.
- Toda mulher gosta de apanhar. O homem é que não gosta de
bater.

domingo, 18 de julho de 2010

Vôo dos sonhos

Menina dos olhos tristes. Pés descalços na areia. Rosto lânguido. Vestidinho encarnado, velhinho, velhinho... Cabelos emaranhados. Doce como toda criança. Não tinha bonecas ou laços de fita. Nem lápis coloridos. A barriga dóia de fome. Nada queria além de amor. E o amor era poder ser criança. Não entendia os motivos. Ela sentava no chão e quietinha pensava em como tudo poderia ser difente. Ela tinha o dom de voar. Voava como passarinho. Era do vento. Pousava a cabeça nas nuvens e sonhava. Voava para bem longe dali. Da pobreza. E pousava no colo da esperança.

sábado, 10 de julho de 2010

Mudança

Hoje, revendo minhas atitudes impulsivas reconheço que mudei bastante. Estava aflita e havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. E talvez ainda existam gotas daquela vontade exacerbada de mudança. De ter e ser tudo que desejo. Mas, nada aconteceu. Decidi mudar. Não mudei ao meu redor mas mudei dentro de mim. E ainda estou mudando. Aceitando. Deixando acontecer. Apaziguando o coração. Deixando de fazer planos e entregando aos dias a responsabilidade pela minha felicidade.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Longe de mim

Aquela tal da ansiedade me viu passando e acenou pra mim. Fingi que nem a conhecia e segui meu caminho. Quem ela pensa que é para se atravessar assim na minha vida? Ela nada mais é do que uma mera sensação difusa, inexplicável. Uma coisinha de nada que coça como piolho na cabeça. A projeção do querer que ainda não foi realizado na sempre iminente espera. Ela é uma cara de pau, vem mansa e rouba seus pensamentos, e até o dinheiro da carteira. Ela me assalta. Desfaz os sonhos e transforma tudo numa sensação inorgânica e ilusória. Essa puta. Ela quer de toda forma sujeitar-me ao abandono. Ao desconhecido. Ela seduz e quer me tocar. Passe bem longe de mim. Do controle.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O novo

O que eu sinto hoje não protagoniza cenas de cinema com batida de claquete, "câmera, ação!". Não tem máscaras em bailes ou carnavais. Está longe do romantismo gratuito das frases feitas. Das palavras bêbadas. Sem fratura exposta que se abre no corpo do outro. E não quero nada disso. Tem a resistência involuntária que me mantém de pé e a malemolência do deitar e rolar. Do deixar acontecer. Dos dedos enlaçados. Dos olhos nos olhos. Dos longos beijos. Som de violão. Esse instrumento está marcado na pele do passado e do presente. Mas só agora, escuto o que eu gosto. O som dele é o meu. Do lado A ao lado B. Eu sinto nos meus gestos os gestos dele. A boemia despretensiosa. Palavras são ditas com quietude e sem recusa, elas jogam limpo. Tudo naturalmente, leve, sem planos. Levo nos bolsos do meu jeans o "seja o que Deus quiser". E a cada momento entendo que somos sempre capazes de sentir vibrar o coração quantas vezes a vida achar necessário. O amor é clarividente. Resiliente. Cisma em voltar a bater a porta. E o recebo como velho amigo e sirvo um café com biscoitos. Tenho um papo sério com ele e prometo parar de dizer que existe uma idade certa, tempo certo, local certo, não existe. Existe eu e como eu decido os meus passos. Eu levo o sentir, o ir e vir. É como diz um trecho de um poema de Drummond "O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua". E eu continuo querendo o amor em todos os cantos da minha vida. Entre e fique à vontade.

Pedaços

Meu nome não interessa, muito prazer. Sou essa que você me vê e isso basta. Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar para não me irritar. Não acredito em gnomos e sapos da sorte, mas bruxas existem. Não costumo voltar atrás em histórias já usadas. Sinto falta dos amigos que perdi com a mudanças. Danço sem ritmo e sem medo de pagar mico. Adoro que "Macacos me mordam". Sou de carne e osso, compulsão e atos de impulsão. A todos trato com cordialidade mas não me incomoda ser as vezes uma "persona non grata". Esqueço de cumprir promessas. Sou um grão microscópico no planeta. Não digo "eu te amo" se não me interessa e se interessa digo sem hora ou data marcada. Sou feita de sonhos interrompidos e dos planos que nunca dão certo. Cada pedaço, a vida se encarrega de me fazer feliz.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sempre Clarice...

"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro"
Clarice Lispetor

domingo, 13 de junho de 2010

"A fé significa crença no desconhecido, a serena convicção de que, embora você não possa imaginar como, em algum momento, em algum lugar, e da maneira correta, aquilo que você deseja irá acontecer."
Eu acredito nisso...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sim, eu te espero

Esperando as palavras. Vocábulos perfeitos que saltam aos olhos. As esperadas e as inesperadas. As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem como fruta madura. Persigo algumas palavras. São tão imprescindíveis que queria poder guardá-las não só na memória mas abraçá-las como um velho amigo. Agarro-as no pulo quando chego mansinho e capturo-as. Sinto cada letra como uma brisa no rosto. E então as revolvo, agito-as, bebo-as e liberto-as. Levo na mala. Levo tudo, todas as palavras ditas e escritas. Tudo está na palavra. Tudo se multiplica. O zelo. Peso. Selo. Sono. O pulo. O grito. Novo solo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Clariceando

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Espera do sim

Fui tecendo, costurando, até que vesti o desejo. Acalentei planos no meu colo e ninei. Pedi aos céus. Confiante, não desci os degraus do sonho e nem deixei resignar-me as concessões. Partilhei esperanças. Santa Clara clareou. Resposta. Ai quem me dera, terminasse essa espera. Expectativa do que eu já sei. Sinto. Espero, por fim, que a ansiedade se recolha. E que venha o êxtase num grito - nós conseguimos!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Diferença das diferenças

É importante que cada um tenha as suas idéias formadas, mas é ainda mais importante ser flexível o bastante para ententer o outro, concordando ou não. É preciso (re)conhecer a diferença, principalmente nos relacionamentos onde as discordâncias são tomadas como coisas erradas. É preciso ter um olhar amplo. Nossos objetivos de vida são nossos e particulares, porque neles existem uma história, de avanços e de recuos, até que eles se desenvolvam dentro de nós, e assim somos todos diferentes. As vezes damos a conotação de diferente a algo que nós mesmos fazemos, e julgamos sem olhar para nosso próprio umbigo. Até nas amizades mais intensas, ninguém tem o direito de magoar o outro e apontar as diferenças, pelo "direito adquirido" da severa sinceridade da intimidade. É preciso lembrar que a intimidade começa no respeito. É melhor calar e entender. Afinal, quem tem o poder de decidir o que é certo ou errado?
Eu sei, eu bem sei que é um desafio enorme conviver com as diferenças e eu sou a prova viva de tudo que acabei de falar. Mas, a vida vem me ensinando a ponderar e ver a diferença como algo estimulante. Fui desafiada algumas vezes e vivi situações com pessoas de ritmos e perfis diferentes do meu jeito, e aos trancos e barrancos fui aprendendo a lidar. O que vem acontecendo comigo é que nem sempre o saldo desse aprendizado é positivo, ouvi algumas vezes nos últimos tempos que essa consciência da diferença é omissão. E não é, chama-se tolerância. Respeito as diferenças.

domingo, 30 de maio de 2010

Limpando a casa

A minha casa andava suja, cheia de pó e teias de aranha por todos os lados, parecia até que estava abandonada. E no vazio das salas e quartos, pairava no ar perguntas sem respostas. As cortinas empoeiradas não deixavam dúvidas de que ali não se tinha zelo e nem apego, como a aparência de quem falhou. Dentro daquela casa, quem vivia ali não se importava com quem estava lá fora, ou mesmo dentro. É fácil perder-se naquele emaranhado de coisas espalhadas pelo chão, um desinteresse manso. Desviando subitamente o rosto se via plantas secas em vasos antigos. Cercado por muros imponentes e altos portões, ninguém conseguia ter acesso. O desleixo incomodava mas não era doloroso, pois tudo ali poderia ser melhor. Sentei na soleira da porta e vi no que transformei o meu lar, e me senti submergida de arrependimento. A casa era bonita acima da média, com alicerces firmes e telhados em perfeitas condições. Mesmo assim, eu deixei de vê-la como ela realmente era. Resolvi arregaçar as mangas e limpar tudo. Depois de pensar bastante decidi começar pela cozinha, lá se alimentava o corpo e precisava estar limpa e leve. Faxinei tudo, das paredes até as panelas engorduradas, e de longe já podia se sentir o cheiro das frutas servidas na mesa forrada com uma toalha de uma brancura de arder os olhos. De lá fui ao banheiro, que estava sujo e mal cheiroso, como a saúde de quem não se cuida e se previne. A vassoura foi esfregada no chão com tanta força que ficou um brilho intenso e as latrinas já não mais pareciam saídas de uma porcilga e agora cheiravam a eucalipto. De todo ambiente foram tiradas as teias e qualquer grão de poeira. No quarto, os livros foram limpos e arrumados nas prateleiras como merecem, roupa de cama trocada e esticadinhas como manda o figurino, todas as roupas dobradas e arrumadas na ordem e por cores, e o disco de Vinícius já tocava um samba para voltar a aquecer o coração. Lá estavam guardados todos os meus bens, minha memória e as coisas que eu mais gostava, não podia deixar que meu quarto continuasse escuro, sem vida e em desordem. E em mim, senti voltar a vontade de renovar que estava perdido em algum lugar no meio daquela bagunça. A sala ampla que a tempos já não era mais a mesma, de tantos entulhos e poeira, foi limpa com todo cuidado e detalhe que merece, afinal é lá que se tem a primeira impressão da casa e se recebe os convidados. Foi mudado a posição dos móveis, as plantas regadas, flores recém cochidas enfeitavam a mesa de jantar e a sujeira que era jogada pra baixo do tapete, foi limpa e esquecida como quem quer esquecer um passado triste e viver apenas alegrias. A imagem da sala era outra, revigorada, tão límpida e cheirosa que me deu uma levíssima embriagez com seu novo ar. Pronto, tudo limpo! Dentro da casa sim, mas faltava o jardim, que estava cheio de folhas secas e plantas em estado terminal, como uma decepção com as pessoas que nos rodeiam. Lembrei de como era o jardim antigamente, as plantas eram lindas e com flores de vários tipos e formatos, mas até o belo morre com o descuido. Eu não podia mais deixar isso acontecer. Fiz jardinagem em todo espaço, podei, arrumei, recuperei e tudo foi começando a voltar a ficar verdinho e brotando novas flores, novos amigos. Depois de horas de trabalho, a casa já não era mais a mesma, não estava mais abandonada. Voltou a ter um dono. Agora era ela, a casa que eu sempre vivi, limpa e com tudo em seu devido lugar. Feliz, sentei na rede da varanda e balançando-me com um livro no colo, sem nem ao menos tocá-lo tamanho o êxtase de estar em casa novamente. A casa que eu sempre fui feliz. O meu eu, a minha casa.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

É tanto querer...

Quero doses cavalares de entendendimento. A paciência que eu ainda não consegui ter embalada à vácuo. Ar puro e o cheiro de terra molhada em cápsulas para tomar diariamente e em jejum. Inteligência emocional sabor extra forte. Amor em litros e dinheiro em penca. Quero a leveza do corpo e da alma como uma pena que flutua suavemente pelo ar. O som das palavras amigas em notas musicais. Ansiedade em conta-gotas. Cerveja estupidamente gelada com risadas de tira-gosto. Quero um chocolate sem amargura. Os momentos felizes congelados dentro da geladeira. Ter pele de pêssego. Jogar no lixo o medo e insegurança que já estão com prazo de validade vencidos. Sentir o doce sabor da vitória. Cuspir fora o pessimismo que já está estragado. Quero ver o mar através do óculos escuros Ray Ban. Pisar na grama cor de grana. Ler o livro da minha vida.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Lá vai a burrice

A falta de atenção e a preguiça de pensar me aborrecem profundamente. Isso chama-se burrice. Não a pejorativa. E sim a verdadeira burrice, aquela de quem tem oportunidade de aprender e não se interessa. Aquela que você precisa dizer cinco, dez, mil vezes e a pessoa teima em repetir os erros. Ou nem liga, entra por um ouvido e sai pelo outro. Não quer aprender, pronto acabou. Claro, as vezes as pessoas não tem consciência das suas atitudes e não abraçam as oportunidades por puro desleixo. Não deixa de ser burrice, mas é mais perdoável pois é "sem querer querendo". A vida é feita de oportunidades, e tantos não a tem. Receber informações, aprender, é um bem muito precioso. O mundo não é fácil, e é ainda pior para quem é burro. A burrice comportamental. A preguiça intolerável. Lá vai a burrice...com a "cabeça enfeitada".

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A gripe bateu na porta

Faça chuva ou faça sol a gripe me persegue. E quando vira o clima, ela chega de surpresa para me visitar. Visita indesejada que teima em chegar e se alojar, e ainda trás a asma de companhia. E mesmo que eu bote a vassoura atrás da porta ela só vai quando quer. Imunidade baixa que me persegue desde a infância. Moleza e o nariz eternamente vermelho. Vitamina C, Vick, limão com mel e a enterna bombinha de asma. Mas ela só vai quando quer, uma folgada. Vai de reto gripe de um figa!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A irônica leveza do ser

Ando aprendendo a duras penas que ser irônico quase sempre é a melhor opção. Não uma ironia grosseira, agressiva, falsa. Uma ironia fina e hermética. Uma ironia de rir com simpatia quando se quer rir do ridículo. Tratar ainda melhor algum desafeto por uma questão de sobrevivência, claro, com um toque de ironia. Irônico como rebolar no meio de um show de heavy metal. Ironia com um toque suave de entrelinhas, entenda ser puder ou quiser. Sem mordaças, pudores ou mesmo sarcasmo. E é covardia não permitir a ironia alheia, eu permito e retribuo. Sem acidez ou rancor. Porque a ironia nada mais é que uma ofensa disfarçada num sorriso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Preciso

Preciso. Paciência com quem só faz atrapalhar. Paciência para não me irritar com a lentidão das pessoas. Paciência para esperar o que teima em atrasar. Paciência para emagrecer quilo após quilo. Paciência para aguentar essa calor escaldante. Paciência para esperar o amor da minha vida. Paciência para não mandar as pessoas maldosas do meu trabalho tomarem no cú.
Preciso. Ter um ovo. Um saco com hidrocele batendo no joelho para ter paciência.
Não tenho ovo, mas tenho mente.

domingo, 4 de abril de 2010

Quem sou eu?

Ando existindo. Eu sou. Existo e não deixo barato. Vou fundo em tudo que me disponho a fazer. Eu faço e minha cabeça teima em desfazer. E repito os erros até acertar. Eu ando de ônibus, dou largos passos pelas ruas, deito na minha cama e penso alto. Eu sou alta. No alto dos meus sonhos. E ponho meus sonhos num altar. E rezo por eles. Eu passo pelas mesmas ruas todos os dias, e sempre sou outra. E as ruas continuam as mesmas. E não crio raízes no chão. Enraizada estou nos meus pensamentos. E o meu mundo não acaba em lugar nenhum. Nem dobra a esquina. Eu pressuponho quem sou eu, mas nem eu mesmo sei. Sou aquela da foto 3X4 de cara séria do RG. A simples existência sou eu, e essa é a minha esfera mais profunda. Eu posso fazer um gesto. Então posso dizer: “Quero dizer isso” e nem querer dizer. Me contradizer. Eu posso mostrar o corpo. Posso me cobrir de vergonha. E rir. "Eu sou", é só útil para esclarecer, apenas um símbolo linguístico. Consciência não contaminada, nova, virgem, castra. Eu sou o que quero ser.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pausa

Ando sem inspiração. Sem palavras e sem gritos. Venho preferindo o silêncio. A imaginação sem expressão. O riso dos outros. O meu riso implícito. Uma pausa. Palmas para mim.

terça-feira, 9 de março de 2010

“Santa Clara, clareou E aqui quando chegar vai clarear Os meus caminhos...Salve Santa Clara!”

segunda-feira, 8 de março de 2010

O jornal e o poetinha


“Um jornal é um pouco como um organismo humano. Se o editorial é o cérebro; os tópicos e as notícias, as artérias e veias; as reportagens, os pulmões; o artigo de fundo, o fígado; e as seções, o aparelho digestivo – a crônica é o seu coração. A crônica é matéria tácita de leitura, que desafoga o leitor da tensão do jornal e lhe estimula um pouco a função do sonho e uma certa disponibilidade dentro de um cotidiano quase sempre “muito tido, muito visto, muito conhecido”, como diria o poeta Rimbaud”.


(Vinícius de Moraes)

sexta-feira, 5 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Erros e acertos

O dia mal tinha amanhecido e o sol morno entrava pelas frestas da janela. Ele acordou, olhou para os lados e percebeu que estava sozinho. O quarto branco com móveis modernos e lençois de 400 fios cheirava a lavanda. Os pensamentos saltavam da cabeça de Benjamim. Tudo que construiu nessa vida foi muito suado, batalhado e esmagado de tanto trabalho. Orgulhava-se de toda a sua trajetória. Saiu de sua casa e foi para o mundo cedo, queria ter mais do que a vida oferecia. Ele queria além do dinheiro, conhecer pessoas, viver aventuras e abraçar o mundo. Queria ter tudo que sonhava, e mais que isso, queria ser tudo que sonhava. Ele conseguiu quase tudo. Hoje com pouco mais de 35 anos sabe bem o que significa as palavras erro e acerto. Decepcionou-se com amigos, foi roubado, traído, mas aprendeu a dar a volta por cima e perdoar. Alguns anos atrás ele conheceu Laura e se apaixonou. Ela era uma moça rica e de boas maneiras. Ele era machista e achava que mulher boa mesmo tinha que entrar muda e sair calada. Ela era meiga, sabia demostrar os sentimentos mais bonitos, e também sabia esconder e engolir seco os momentos de raiva. Laura era um anjo e a mulher ideal para casar. Morna. Sem graça e sem garra. Era bonita mas sem sal e sem açúcar. Ela era diferente dele. O oposto. No início, ele acreditava que ela seria uma excelente dona de casa e mãe para os seus filhos. Até que depois de alguns anos ele viu que não queria uma mãe tão frágil para seus filhos, queria ensinar valores como garra e coragem. Ele sentia falta de uma mulher de verdade, queria mais fogo na cama. Desejava uma mulher que se entusiasmasse com seu sucesso profissional e que lutasse ao seu lado. Laura não era intensa como ele e não tinha culpa de ser assim. Não dava mais para juntar algo que nunca esteve junto. Ela não era a tampa da sua panela. Benjamim estava sozinho no seu quarto naquela manhã envolto em seus projetos para o futuro. Feliz por ter feito a escolha certa. Ouviu dizer que Laura andava sofrendo, mas sabia que isso um dia ia passar e ela também seria feliz quando percebesse que foi melhor assim. Ele hoje quer uma mulher firme, com experiências, personalidade e que saiba o que quer. Bibelôs são só para enfeites, ele agora quer uma mulher de carne e osso e pés no chão. E deseja imensamente encontrá-la por aí, na rua, no trabalho, nos bares, onde for. Ele percebeu que já eram 7h e estava atrasado, num sobressalto levantou e foi correndo tomar banho, vestiu um jeans e uma camisa pólo listrada, pegou uma caixinha de suco na geladeira e saiu para mais um dia de trabalho duro na cidade do Recife.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ando tentando

Tentando fazer com que o meu pensamento entenda o que ele precisa esquecer. Tentando empurrar garganta abaixo que querer a felicidade do outro não significa não lutar, deixar livre e respeitar o outro é a maior das batalhas. Tentando me fazer acreditar que as "horinhas" foram poucas e sem importância, mas eu não sei mentir e muito menos para mim mesma. Tentando buscar explicações em mim, por continuar pensando em algo tão distante, se tenho tantas possibilidades perto. Tentanto ver o sentimento "lindo" por outros ângulos. Tentando varrer para debaixo do tapete da minha memória a poeira da saudade que por vezes ronda o meu dia. Tentando dar oportunidade de algo novo chegar, mas sem querer fechei os olhos. Tentando entender porque a vida me pregou mais essa peça. Tentando tirá-lo do pensamento. Tentando esquecer longe antes de estar perto, e logo estarei bem do lado.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Currículo

Nunca grite comigo, tenho o terrível hábito de revidar. Na maioria do tempo sou bem humorada, mas não pise nos meus calos. Acordo cedo mas com muita preguiça, não tente me tirar na cama. Não tenho dinheiro e nem herança. Me faça rir, mas não conte piadas sem graça. Já tive vários namorados de todas as cores, raças e tamanhos P, M e G. Falo bobagens, dou risada de mim mesmo e pensam que sou retardada. Perco meu tempo com gente medíocre. Gosto de coisas boas, então não me presenteie com bugingangas e me pergunte se eu gostei, eu não vou gostar. Não falo mentiras, só meias verdades. Odeio discutir política. Preciso ficar só de vez enquando, então não me perturbe contando sobre os gols do seu time. Minha cor preferida é pink fluorecente. Gosto de cerveja gelada, além do uísque, da vodka, do vinho, cana, run e do suco de laranja natural. Sou manhosa e faço birra. Seja meu escravo, meu filho e meu pai. Gosto de música e sou eclética, leio revistas de novela e tenho um piercing no umbigo igual o da Mulher melancia. Não seja viciado em novela das 8, mas assista do meu lado sem dizer um "piu". Tenho amigas loucas de pedra e que traem os maridos sem dó e nem piedade, mas não implique com elas. Já amei e isso não tem como esquecer, não tenha ciúmes de psicopata. Não me conte seus segredos, se você mesmo não conseguiu guardá-los, eu é que não vou. Nunca deixe de ter amigos, eu nunca deixarei de ter. Cometa alguns erros, mas se for comigo melhor. Cigarro só se for a carteira inteira, mas nunca um baseado. Não seja nervoso comigo, viro as costas e vou embora. Tenho cara de metida e faz parte do meu show. Não me dê ordens, só entre quatro paredes. Nunca diga que estou mais gorda, não vou mais dirigir a palavra a você. Danço até o chão, e não reclame porque senão é "ado, a ado, cada um no seu quadrado". Não sou compreensiva , quem cai nessa dança porque "chapéu de otário é marreta". Sou independente e assusto os homens. Gosto de sexo animal e sadomasoquismo. Faça sexo todos os dias da semana. Não gosto de cobrar, mas isso não tem como evitar, toda mulher faz e eu também faço. Se vista bem, mas não use roupinha da moda que isso é coisa de veado. Não gosto de homem que goste de futebol, se é que existe. Minta exaustivamente sobre minha beleza. Gosto de homens que tomem decisões, então trate de levantar a bunda da cadeira. Quero ter um filho homem e ele vai aprender a tocar arpa, acho lindo e romântico. Religião não faz minha cabeça, não queira me converter. Não gosto de filmes, só os pornôs de Alexandre Frota, ele é um ótimo ator. Sempre pague minhas contas, ter mulher é luxo. Seja você e dane-se seus amigos. Tenho TPM, brigo e choro sem razão. Gosto de beijos ardentes, mas não me babe inteira. Se roncar, vai dormir no sofá. Não sei cozinhar nem ovo frito. Gosto de discutir relação diariamente. Homem que é homem não broxa...

Que cara é essa, não gostou do meu currículo? Olha, se tudo for muito difícil eu me adequo a você...se der certo, a gente vê depois...não é bem assim, calma...não se assusta...não vai embora...não precisa correr...ei, não vai nem experimentar se apaixonar por mim?
"Sentimental eu sou, eu sou demais..."

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Não estrague a sua própria festa. Previna-se nesse carnaval!

Prêmio criatividade/ The lonely penis

video

"Deixa o frevo rolar/ Eu só quero saber se você vai ficar/ Ai meu bem sem você não há carnaval/ Vamos cair no passo e a vida gozar..."

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nada acontece por acaso

E sem sequer perceber, foi esperado. O sorriso do sonho. Momentos embriagantes de quem nada sabe. Do outro. Do tempo. E o que se sabe, são os beijos cálidos e as longas conversas como velhos amigos. Voraz. Urgente. Cheiro impregnado na memória. "Horinhas" de um encontro. Uma partida. Longe mas perto dos sentidos. Impetuosa descoberta. Desconchavo. Ele não era seu. As experiências vividas já ensinaram e mesmo assim, deixou-se envolver. E ela não se deixa mais envolver a tôa. Ela deixou o coração ser parcial e perdeu a razão. Sentia que devia seguir em frente e foi. Real, sem fantasias. Erro ou acerto? Difícil responder. Viver cada segundo. Arriscar. É sentir que algo não é banal e jogar-se de cabeça. Um pulo no vazio dos que nada sabe. A gente nunca sabe. Da gente. Dos sentimentos. Dos não sentimentos. Tudo pouco e muito, um paradoxo. Ela quer a felicidade dele. Hoje. Sempre. Seja como for. Seja com quem for. Fugaz e perene, como uma paixão. História que ficará guardada na gaveta mais especial da memória. Abstrair. Esquecer. Ela sabe separar as coisas e viver a sua vida. Mas, nada acontece por acaso e tudo sempre tem uma explicação. Ela sabe disso. E, ela sente que essa história ainda não acaba aqui. Lá na frente a vida responde. Agora é com a vida...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O frevo nosso de cada carnaval

O frevo é dança e música que nasceu e se desenvolveu em Pernambuco. Nunca se conseguiu que brotasse em outra terra, ao menos com a autenticidade do que se faz no nosso estado. É lindo ver os passistas voando com suas sombrinhas. Eu tinha curiosidade em saber de onde surgiu o nosso tão querido frevo e me pus a pesquisar. Os passos do frevo, dizem os historiadores, é de origem urbana e nasceu dos passos de capoeira no século XIX, conforme afirma o antropólogo Carlos Eugênio Líbano, no no Recife tinham as bandas marciais de sua predileção, e os negros as seguiam exibindo suas habilidades, não raro entrando em confronto com outras maltas para defender seu estardarte quando coincidia de as bandas cruzarem-se pelas ruas da cidade, até as sombrinhas coloridas seriam uma estilização das utilizadas inicialmente como armas de defesa dos passistas.
A palavra é: FREVO! - A palavra frevo vem de ferver, por corruptela, frever, dando origem a palavra frevo, que passou a designar: "Efervecência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas como pelo Carnaval", de acordo com o Vocabulário Pernambucano de Pereira da Costa. Divulgando o que a boca anônima do povo já espalhava, o Jornal Pequeno, vespertino do Recife, que mantinha a melhor secção carnavalesca da época, na edição de 12 de fevereiro de 1908, faz a primeira referência a palavra frevo.
Quem é de fato bom pernambucano, se arrepia ao escutar o som do "vassourinhas", e começa a pular com passos acrobáticos e quem não sabe dançar o frevo, dança de forma descompassada e segue a troça pelas ruas. Diz o refrão de uma antiga música que "quem não gosta de samba bom sujeito não é", e eu digo que quem não gosta de frevo, bom pernambucano não é. O frevo é uma das manisfestações culturais mais ricas e lindas do nosso estado, lindo demais...de emocionar.
"Deixa o frevo rolar, eu só quero saber se você vai ficar, ai meu bem sem você não há carnaval, vamos cair no passo e a vida gozar..."

Pesquisa: Fundaj/ Wikipédia/ JC

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Meu alter ego hoje é a mulher maravilha


Nuvem negra num sol de 40º

Hoje está sendo um dia confuso, profissional e emocional. Devo trabalhar no achados e perdidos. E, tenho um coração "Cristiane F. drogado e prostituído" que só arranja sarna pra se coçar ou pulgas atrás das orelhas. Um verdadeiro "samba do criolo doido". Alguém pode me dizer onde eu encontro um tal chamado eixo? Ele me deixou sozinha hoje. Melhor fingir que não é comigo e me manter distraída, de ressaca, como quem saiu do trabalho e foi direto para o bar...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

De tom para Chico



Vinícius, sempre ele...

"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."

domingo, 7 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

"It's why I'm easy like sunday morning..."

Amor de carnaval


Eles se conheceram num bloco que passava nas ladeiras, nem lembram mais qual deles era. Se viram de longe, sorriram e logo, se beijaram. Ela bebe cerveja. Ele, cachaça. O coração pulsando ao som do frevo. Ele diz que ela é a mais bonita da multidão, e que gostou da sua ousada fantasia de colombina estilizada. Ela pensa, "ousadia? Mas esse cara nem me conhece", mas aceita a cantada, já tinha beijado mesmo. Ficaram juntos até o bloco se desfazer na ladeira do Amparo. Ele vai embora e não consegue parar de pensar nela. E ele gosta de imaginar qual é a forma do seu corpo sem fantasia...Ela acordou no domingo de carnaval com a voz dele na secretária eletrônica cantando "colombina onde está você, eu vou dançar até o pé se lascar. Me liga!". Ela correu pra atender, mas não deu tempo. E morreu de rir ao ouvir o recado. Ele deixou um número e se encontraram no Mercado da Ribeira. "Não consigo parar de pensar em você. Quero continuar o que ainda não começamos", ele disse olhando fundo nos olhos dela. Ela sorriu e pensou que ele só podia ser um louco, porque só foi um beijo rápido de carnaval. Mas, ela já sabia que ela também já tinha o homem que bebe cachaça na cabeça. Ela sempre gostou de paradoxos. Depois de várias lapadas de cachaça, ele já fazia declarações de amor com a mesma tranqüilidade que se acende um cigarro depois do café ou de comer um prato de filé com fritas. Aos trinta anos um homem já tem opinião formada, mas quase bêbado e ao som do maracatu, só podia ser uma fantasia. Mas, ela estava adorando ouvir. Ela rodopia o corpo leve, inescrupuloso, e saiu dançando até ficar toda suada. Para ele, isso a deixou ainda mais sexy. Ela pensou que estava perdendo seu carnaval e achou melhor ir embora, afinal todos sabem que histórias de carnaval nunca dão certo. Na esquina da rua se virou e acenou para ele, que recuou um passo e arregalou os olhos, se protegendo atrás do boneco gigante. Ela esperou alguns segundos, ele reapareceu e acenou de volta com um gesto duro e frio como um espasmo. Ela levantou de leve os ombros, deu meia-volta e dobrou a esquina. Ele se sentou na calçada, acendeu um cigarro e olhou a fumaça. Ele achava que ela era diferente. O cheiro dela. Era um cheiro que ele não sabia explicar, um cheiro impossível, que só se sente quando não sente direito, só percebe quando não presta atenção, misturado com cheiro de flores, incenso, creme hidratante, chiclete de menta e suor. Ela desistiu e voltou para o lado dele. Os dois primeiros anos deles juntos foram ótimos. Ele gostava do bom humor dela, do seu jeito apressado de encarar as coisas. Olhava para ela e se lembrava dele. "Sinto uma certa pressa", ela diz. "De quê?", ele quer saber, mas ela não sabia responder. Ele gostava de palavras, explicações, e algumas ela não sabia dar. Ela gostava da maturidade dele. Daquele jeito pouco apressado de olhar o mundo. Uma calma típica dos que sabem e não têm medo disso, dos que sabem que nem sempre foi assim. Era aquela calma dele que ela procurava, mas ela tinha pressa, muita pressa de encontrá-la. E foi justamente aquela calma que um dia começou a ocupar espaços desconhecidos nela e revelou uma solidão imensa, só dela. Ela teve medo, muito medo, do silêncio. Era como se de repente não houvesse mais nada além das paredes daquele apartamento. Ele a abraçou. Eles transaram. Ela foi embora, levando a imagem dele. Ela não conhecia mais os caminhos, não era capaz de se distinguir daqueles reflexos, não sabia mais que direção tomar. Ela percebeu que era sábado de carnaval. Pierrôs, colombinas, melindrosas e orquestras de frevo se misturam nas ladeiras de Olinda e ela ali pensando como se a história nunca tivesse sido sua. Fazia tempo que ela tinha ido embora e ainda sentia uma saudade alucinada dos dois. Daquele homem que estava atrás do bloco anos atrás. E ele acendendo mais cigarros tentando moldar com a fumaça uma outra imagem que não a dela. Estão em pedaços. Tudo porque deixaram de ser aquele bêbado e aquele colombina do sábado de carnaval.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Gaiola das loucas

Imagine trabalhar ao lado apenas de mulheres, e ainda por cima desvairadas. Pensou? Pois é, esse é o meu caso. Para começar, tem o mix de profissões que é bem diversificado, pois tem Assistentes Sociais, Pedagogas, Artista Cênica, Artista plástica, Cientista social, Publicitária e eu, Relações Públicas. Todas dentro de um mesmo ambiente, uma mesma gaiola. E ainda por cima, todas com uma personalidade forte e marcante, que tem obrigatoriamente que se completar e trabalhar em equipe, o que nem sempre é fácil mas no fim dá certo. Fora isso, tem os talentos pessoais de cada uma, tem cantoras, contadoras de piada, decoradoras, bloggeiras, viciadas em sexy shop, bregueiras, twitteiras, desligadas, "fazedoras" de casamento, crentes, místicas, sem noção, cachaceiras, as "descontadoras" de problemas pessoais, as desastradas, as "faladores" pelo cotovelo e ainda tem as que "fecham de cadeado". E claro, tem as de "lua" mal humoradas que resmungam e quebram o clima, mas essas são apenas um mero detalhe e em minoria absoluta que prefiro não dar ênfase, pois o "saco de risadas" é muito maior, mais importante e mais divertido. Tenho alguns anos de experiências profissionais, e levo comigo vários amigos que conheci no ambiente de trabalho além de boas lembranças e momentos de descontração, mas aqui nessa empresa realmente tudo que vivo vai ficar na minha história, tudo sempre muito intenso e extremista. Claro, tem suas "frescuras" e problemas, mas no geral é bom demais trabalhar ao lado de pessoas tão especiais, figuras únicas. Nunca estive em um lugar onde existe a demanda e a rotina de trabalho como em todos os lugares, mas tem a gargalhada sempre como prato principal. Loucas demais essas minhas amigas...hilárias!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Até um dia, até talvez, até quem sabe..."

Nós podemos ir embora e nunca mais ser os mesmos. Podemos lembrar todos os dias, mas é como despedir-se novamente com um abraço apertado. Podemos voltar e nada ser como antes. Podemos até ficar para que nada mude, mas aí fica tudo simples demais. Podemos ter dúvidas e certezas. Podemos esperar, e esperar não significa inércia e muito menos desinteresse por outras coisas e pessoas. Podemos desconfiar do destino, mas acreditar em você mesmo. Podemos por instantes pensar que é tudo difícil demais, mas os idéias negativas páram, cansam e dormem. Podemos ter vivido muitas histórias, mas tem coisas que fazem tudo parecer novo, único. Podemos ter os pés fincados no chão, e quando percebemos estamos flutuando nas nuvens. Podemos ter muita vontade de mudança, e descobrirmos que a mudança está dentro de nós. Podemos escrever muitas banalidades, mas é a língua que o sentimento usa para dizer o que sente e o quanto sente. Podemos não ter pressa nenhuma, e ao mesmo tempo ter uma pressa enorme de respostas. Podemos cismar que se está apaixonado, e estar longe de ser loucura como dizem. Podemos parecer imaturos por vivermos algo que parece sem sentido, mas não ligamos porque sentimos que o sentido existe. Podemos ficar ansiosos quando se falta muitos minutos para o que quer que seja. Podemos tentar fugir da lembrança para acontecer de novo e não conseguimos. Podemos querer estar perto, mas não conseguimos. Podemos até sentir saudade, mas não deixamos a tristeza que vem com ela se aproximar, só a alegria dos momentos vividos e a expectativa de quem sabe vivê-los novamente.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Começando a semana com Vinícius...


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Para Viver um grande amor - Vinícius de Moraes

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Diploma para jornalistas SIM


Não sou jornalista, e sim Relações Públicas, e as diferenças entre as habilitações na área de comunicação possuem uma região de sombra ainda muito discutida no universo acadêmico, pois são atividades diferentes, mas não excludentes, e são infinitamente simbióticas. As duas atividades existem autonomamente, mas diante da globalização e das novas perspectivas de uma boa política de comunicação, tende-se a entender com mais clareza a necessidade de uma comunicação integrada, para que esta seja exercida com mais excelência e eficiência.

A área de jornalismo possui uma habilidade com o fazer da informação, desde a produção até a circulação, que lhe é muito peculiar. Já as Relações Públicas trabalham diretamente com essa mesma informação, somando outras perspectivas. Em geral, não somos habilitados para escrever artigos jornalísticos, para fazer locução, edição, ou produções de pauta, por exemplo, e aqui é preciso dizer que isto diz respeito à regulamentação e não a competência que é outra polêmica. Bem, as relações públicas podem atuar nesses mesmos ambientes de que falamos, coordenando relacionamento com a imprensa, analisando a imagem institucional diante da mídia, fazendo levantamento de dados qualitativos sobre a aparição da empresa nos meios de comunicação, elaborando planos de mídia, escrevendo releases, e mesmo orientando ações de comunicação interna na organização, entre outras possibilidades. Enfim, áreas parceiras e complementares.

Essas informações iniciais, foram para destacar a minha opinião de que é preciso SIM, ter diploma de Jornalismo para poder exercer a profissão e o meu principal argumento, entre os tantos que se pode levantar para a exigência do diploma de curso de graduação de nível superior para o exercício profissional do jornalismo, é o de que a sociedade precisa, tem direito à informação de qualidade, ética, democrática. Informação esta que depende, também, de uma prática profissional igualmente qualificada e baseada em preceitos éticos e democráticos. Por isso, de todos os argumentos contrários a esta exigência, o que culpa a regulamentação profissional e o diploma em jornalismo pela falta de liberdade de expressão na mídia talvez seja o mais ingênuo, o mais equivocado e, dependendo de quem o levante, talvez seja o mais distorcido, neste caso propositalmente. A academia valida socialmente um modo de ser profissional, que tenta afastar a picaretagem e o amadorismo e vincular a atividade ao interesse público e plural, fazendo do jornalista uma pessoa que dedica sua vida a tal tarefa, e não como um bico de free lancer.

Segundo Beth Costa, Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, "Qualquer pessoa que conheça a profissão sabe que qualquer cidadão pode se expressar por qualquer mídia, a qualquer momento, desde que ouvido. Quem impede as fontes de se manifestar não é nem a exigência do diploma nem a regulamentação, porque é da essência do jornalismo ouvir infinitos setores sociais, de qualquer campo de conhecimento, pensamento e ação, mediante critérios como relevância social, interesse público e outros. Os limites são impostos, na maior parte das vezes, por quem restringe a expressão das fontes –seja pelo volume de informações disponível, seja por horário, tamanho, edição (afinal, não cabe tudo), ou por interesses ideológicos, mercadológicos e similares. O problema está, no caso, mais na própria lógica temporal do jornalismo e nos projetos político-editoriais. Nunca é demais repetir, também, que qualquer pessoa pode expor seu conhecimento sobre a área em que é especializada. Por isso, existem tantos artigos, na mídia, assinados por médicos, advogados, engenheiros, sociólogos, historiadores. E há tanto debate sobre os problemas de tais áreas. Além disso, nos longínquos recantos do país existe a figura do provisionado, até que surjam escolas próximas. Deve-se destacar, no entanto, que o número de escolas cobre, hoje, quase todo o território nacional. Diante disso, é de se perguntar como e por que confundir o cerceamento à liberdade de expressão e a censura com o direito de os jornalistas terem uma regulamentação profissional que exija o mínimo de qualificação? Por que favorecer o poder desmedido dos proprietários das empresas de comunicação, os maiores beneficiários da não-exigência do diploma, os quais, a partir dela, transformam-se em donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por conseqüência, das consciências de todos os cidadãos?"

A academia trás ao estudante matérias que incluem responsabilidade social, escolhas morais profissionais e domínio da linguagem especializada, da simples notícia à grande reportagem, entre outras. A informação jornalística é um elemento estratégico das sociedades modernas. E o Brasil não está a passos lagos para modernidade? Ou para passos para trás como carangueijo? A formação de jornalista deve se expressar seja num programa de TV de grande audiência ou numa TV comunitária, num jornal diário de grande circulação ou num pequeno de bairro, num site na Internet ou num programa de rádio, na imagem ou no planejamento gráfico. É por isso que, num Curso de Jornalismo, é possível tratar de aspectos essenciais às sociedades contemporâneas e com a complexidade tecnológica que os envolve, incluindo procedimentos éticos específicos adequados. Um método lícito para obter informação à manipulação da imagem, do sigilo da fonte ao conflito entre privacidade e interesse público, por exemplo, isso tudo faz parte do jornalismo.

Além de tudo, há uma discussão bastante reducionista, uma espécie de a favor ou contra. Ora, diploma é uma palavra. Trata-se, no entanto, de palavra que exprime outras duas: formação profissional, atestada por um documento que deve valer seu nome. Há um lugar, chamado escola, que sistematiza conhecimentos e os vincula a outras áreas a partir da sua. A regulamentação e a formação são o resultado disso, que se manifesta em exigências como a do registro prévio para o exercício da profissão. Por isso, a regulamentação brasileira para o exercício do jornalismo é um avanço, não um retrocesso. Temos sim é que caminhar para frente.

O Relações Públicas atua na mesma linha, e com os mesmos conflitos. Mas, todos nós temos as mesmas habilidades? Claro que não. Cada um escolhe sua profissão por um perfil. Entender o processo comunicacional não é receita de bolo, é preciso técnica e um olhar amplo. Saber escrever bem, é só ler bastante e gostar de colacar as palavras no papel, isso independe da profissão. Usar as palavras de forma adequada, aí são outros quinhentos...Sem conhecimento, sem saber como funciona os processos comunicacionais, não se pode banalizar uma profissão importante e ativa em nosso país como é o j0rnalismo. É preciso perceber que a comunicação não acontece de forma aleatória, um exemplo claro, é só dizer que quando ela é bem articulada, derruba até Presidentes da República.

Só sei que escrevo...

“Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”
Por Clarice Lispector

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eu tento, tento...e consigo


Tentando conter a ansiedade e não criar expectativas sobre mim, nada e nem ninguém. Mas, sobra planos.
Tentando viver um dia após o outro. Mas, sobra vontande de estar perto hoje.
Tentando fingir que eu não acredito, no que eu já acredito. Mas, sobra certeza.
Tentando não ter medo de me decepcionar. Mas, sobra coragem.
Tentando não ouvir as opiniões negativas e também não me entusiasmar demais com as opiniões extremamente positivas. Mas, sobra a minha própria opinião.
Tentando não dar asas demais a minha imaginação que viaja até o outro lado do mundo. Mas, sobra viagens durante os sonhos.
Tentando achar fácil o que parece tão difícil. Mas, sobra confiança.
Tentando entender que as coisas não dependem só de mim. Mas, sobra tantas meias verdades que ainda não foram ditas.
Tentando não deixar de acreditar que as horinhas foram diferentes de tudo que já vivi. Mas, sobra incerteza se o que me foi dado, é mesmo meu ou será.
Tentando acreditar que isso tudo é fruto da minha fantasia. E quem disse que não é? Sobra cenas de novela das 8.
Eu tento, tento...mas sempre me contradigo. Sobra a certeza que se for para o meu bem, eu consigo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uma dose de medo


O sentimento lindo chegou e sem pedir licença sentou na mesa do bar, e pediu uma dose dupla de medo, pura e sem gelo. Tomou o medo num gole só e sentiu a garganta queimar até o coração. Era um medo de primeira qualidade, encorpado e intenso. Mas, o sentimento lindo apesar de ser jovem e de ter poucas experiências, não temia se embebedar com o medo. Tomar um porre de medo não era para qualquer um, tinha que ser forte e resistente como o sentimento lindo. Mas o medo era uma bebida como qualquer uma, te deixa tonto mas no dia seguinte só fica a ressaca. E o sentimento lindo sabia disso, depois de acordar de uma farra etílica tomava um analgésico para o esquecer a ressaca que o medo dava. Um analgésico de confiança, além de um café forte com gotas de nada acontece por acaso, era tiro e queda! Até o dia que tomará a próxima dose.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sou "verborrágica", uma pessoa que não tem uma válvula que filtra o pensamento e ele acaba por escapolir pela boca.

No passado ou no presente


Dizem que tudo na vida tem dois lados. Um bom e outro ruim. Depende nos olhos de quem está a pimenta. Mas se tem algo realmente dúbio para uma única alma é um troço chamado saudade. Com ou sem pimenta nos olhos. O dito popular é quem melhor traduz a dualidade de uma saudade quando diz que esta é a maior prova de que o algo valeu a pena. Em todos os pontos de vista, sentir a falta é bom e ruim. É a felicidade retardada. É sentir falta de detalhes, do cheiro, da voz, do toque...

Ter saudade dele é imaginar onde deve estar e o que faz nesse instante. Se está bem agasalhado. E quando a saudade não cabe mais no peito, se materializa e transborda em palavras. E, isso é o que venho fazendo, usando as letras para expressar o que estou sentindo. A gente é saudade, eu sou. É a espera para encontrar o olhar da pessoa em cada improvável esquina, confundir cabelos, bocas e perfumes...mas aguardá-lo na memória. Um súbito sentimento que deixou a falta. E a espera que em breve essa tal saudade seja assassinada, sem dó e nem piedade, a queima roupa. E pedir a vida que abrevie o tempo...

A saudade é olhar pra trás sem voltar, mas ficar feliz com o que viveu. É mudar radicalmente a rotina porque se passou a pensar nele. A saudade que eu sinto é a inconfortável expectativa de um reencontro, que talvez não aconteça... porque mesmo a saudade sendo feita para doer, às vezes percebemos que ela é o meio mais eficaz de enxergar o quanto sentimos alguém, no passado ou no presente.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

domingo, 17 de janeiro de 2010

Caindo de paraquedas na minha vida...


Não consigo compreender porque em determinados momentos da vida quando está tudo em seu devido lugar ou pelo menos deveria estar, algo acontece e te surpreende. Boom! Sai tudo da rotina e balança as estruturas. Pelo menos na minha vida é assim, quando o momento é de marasmo algo devastador chega e muda tudo ao meu redor, ou até leva embora. Tudo bem, posso explicar, mas claro que sem detalhes porque esse blog não tem a intenção de expor minha vida pessoal a Deus e ao mundo. rs! Mas, posso ao menos dizer que alguém caiu de paraquedas no meio da meus dias e apesar do pouco tempo, me fez muito feliz.
Poucos dias, os últimos dias antes de voltar ao frio, e eu não sei nada ou pelo menos quase nada sobre essa pessoa. Só sei da gentileza, da boa companhia, da timidez disfarçada e do carinho gratuito por alguém que também caiu na sua vida, talvez não de paraquedas como ele, mas desci de um alto pé de manga que nessa época do ano anda carregada de frutas doces que talvez deixe-o com saudade do Nordeste, da sua terra, com saudade de mim. Só sei que sentirei sua falta e guardarei boas recordações. Só sei que ele também me leva no coração. Só sei que sinto que nossa história não acaba aqui. Só sei que a vida é assim, cheia de boas surpresas e que nada acontece por acaso. É como dizia Vinícius de Moraes : "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida".

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Escrever, Humildade, Técnica

Por Clarice Lispector

Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.

Zzzzzzz....


Os sonhos. Ando tendo sonhos muito reais nos últimos tempos e está sendo comum acordar subtamente na madrugada assustada ou mesmo impressionada com tamanha clareza de imagens e acontecimentos. Logo vem o questionamento se os tais momentos de inconsciência são imagens refletidas do meu subconsciente, desejos e pensamentos guardados que são "ensenados" durante o sono, ou se são revelações da espiritualidade, avisos para que eu possa me previnir ou minimizar a ansiedade diante do um desejo. Dizem os espiritualistas que quando dormimos nosso espírito sai do corpo e vai para outro plano espiritual, lá vivenciamos momentos tais como na vida e por isso trazemos lembranças desses momentos. Mas, o que dizer dos sonhos loucos e sem sentido? Os espíritas explicam que isso acontece para "maquiar" momentos em que não devemos mesmo lembrar do sonho, porque é algo que não devemos trazer para a nossa vida. No fundo, não sei se acredito, são coisas muito abstratas, mas revelações em sonhos é até bíblico, existe uma história de José (pai de Jesus) que sonhou em 7 vacas magras e revelou que o Egito iria passar por 7 anos de grande crise e fome, e foi o que realmente aconteceu, acho que a história é assim porque faz tempo que ouvi, mas o que interessa mesmo para esse texto é que foi através de um sonho que algo se revelou. Novamente os sonhos...os mesmos que me deixam intrigada. Desde criança tenho sonhos que depois de uma forma ou de outra acontecem, nada grave mas que de alguma maneira apazigou meu coração no momento em que aconteceu, mas o desconhecimento sobre o assunto até hoje me assusta. Da mesma forma que um sonho feliz me deixa radiante ao acordar, um triste me atormenta e me faz ter medo deles. Medo de sonhar com o sofrimento de alguém que amo, um pesadelo terrível. Voltando aos sonhos bons e sem sentido, andei sonhando repetidas vezes com alguém que não conheço, que eu reconhecia pelo sorriso e que dizia ter a minha idade, e em cada sonho essa pessoa é retratada com um rosto, ora de pele morena, ora branco de cabelos grisalhos, mas sempre com o mesmo sorriso, como explicar tal sonho? Uma revelação de alguém que será importante para mim, ou só mais um parafuso se soltando da minha cabeça? rs! E quem sabe? Melhor contar carneirinhos...zzzzz....

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

História para contar

Debruçada em sua cama, pensava no que a fazia sentir um vazio tão intenso. Nada de material a faltava e o utópico desejo de riqueza não a interessava. Era privilegiada por ter oportunidades, por ser inteligente e por ter uma beleza especial. Sabia usar sua simpatia e até mesmo seu nariz empinado a seu benefício. Sagaz, não dava ponto sem nó. Mas ela se sentia só, mesmo rodeada de tantas pessoas queridas. Faltava algo que ela não sabia explicar. Faltava uma história para contar. Perspectivas. Desejava imensamente uma dose extra de sorte, mesmo sabendo o quanto tinha sorte de ter uma boa vida, longe de ser sofrida. Queria aventura ou mesmo um pouco mais de estabilidade, sem marasmo e com mais conteúdo. Que tal um novo amor? Que tal uma família? Filhos? Aventurar morar em outro país ou outro estado? Abrir uma empresa? Viver ao Deus dará? Ou quem sabe abandonar tudo e ir atrás do circo? Ela não sabia a resposta, só sabia que desejava imensamente preencher o vazio que consumia seus pensamentos e transbordava em ansiedade. Ela desejava fazer da sua vida algo que vibrasse o coração. Queria saber o caminho. Ela sentia falta do amor. Mas apesar dos questionamentos que fazia, no seu íntimo sabia que ia encontrar as respostas, porque elas sempre chegam... Ela sentia que tudo ia mudar. Até que na hora certa, tudo mudou.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um sopro de vida

"Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando - até que não caibo em mim e estouro em palavras".

(Clarice Lispector)