sábado, 28 de agosto de 2010

Eu, Alice

Eu queria viver no mundo de Alice. Um universo caótico [ficcional] feito de fantasia. Nada real, nada a ver com coisa alguma. O País das Maravilhas convida ao estranhamento do mundo desligando Alice [nós] da realidade, que nem sempre é boa — nem sempre é feliz. Os encontros dela nos chamam para usar a capacidade de reordenar as significações, redefinindo nossos próprios limites. E eu preciso disso. Conselhos de uma Lagarta, filosofia profunda que está posta a própria existência em questão. Transformações sofridas e encontros no mínimo inusitados na toca do coelho, longe da família, da escola, das atividades e círculos sociais próximos, a resposta poderá ser errada, porque requer de Alice retomar a própria essência — desconcerto, confrontando sem desvelar-se. Assim como Alice, eu quero desarticular o mundo instituído, sem respostas socialmente aceitas e esvaziadas de significação. Ah, eu tive um sonho tão esquisito! — diz Alice. E assim eu acordasse do sonho para viver a realidade, mas com a capacidade de me maravilhar com as pequenas coisas da vida.

Um comentário:

Marina Flora disse...

'Quem é você? - Perguntou a Lagarta.
Eu já mudei tanto hoje que já não sei. - Respondeu Alice.'

Somos Alice.
Em várias versões e ilustrações.