De: Jullia 8 anos(sobrinha) Para:Karla(tia)Eu amo a minha tia(Karla)

Tia Karla, lembro do dia que eu e você brincamos...Quando eu cheguei para dormir na sua casa e depois do almoço você teve a idéia de nós fazermos um dia de salão de beleza, eu amei.Nós fizemos esfoliação no corpo, hidratação no cabelo, escova, chapinha, fizemos a unha etc...
Lembro também do dia que pegamos a nossa cachorrinha Malu, enrolamos ela no lençol e ela ficou parecendo uma minhoca, toda doida e a gente chamando ela e ela não conseguia ver nada, ficamos rindo muito.


Te amo muito e também amo muito Malu.

Minha sobrinha Jullia postando no meu blog, ela não escreve lindo? Não corrigi nada. Te amo muito também minha "gatuxinha", você é um presente de Deus na minha vida.

Samba de bamba ♪


O homem negro, alto, de braços roliços e voz grossa sentou no bar e pediu uma cerveja estupidamente gelada. Ele era conhecido como Chicote, apelido dado na roda de capoeira do Alto da Sé de Olinda nos anos 70. Dizem que ele dançava na roda com tanta rapidez que lembrava um chicote açoitando a negrada. A cerveja chega e ele sem demora põe um pouco no copo americano, dá um longo gole e lambe os beiços grossos. Seu rosto é marcado pelo tempo, suas roupas muito usadas traziam a elegância dentro da simplicidade. Chicote, tira o pandeiro da sacola e começa a cantarolar um antigo samba. Ali sozinho, nem olhou para o lado. Cantava e bebia sua cerveja, e fechava os olhos nos tons mais altos da música, como se fosse um lamento. Aquele homem garboso de pele escura que cantava Cartola, só podia ser biruta aos olhos dos outros. Para mim ele era a prova que basta apenas uma cerveja gelada e um belo samba para nos fazer companhia.

O primeiro beijo


Ela tomou coragem e disse que nunca foi beijada. Não sabia dar os beijos que via na TV. Ele riu com seus dentes amarelados e sardas no nariz, pegou-a pela mão e saíram andando pelo parque. Ele sentia a mão da menina de 14 anos tremer e suava ao pensar em como seria bom beijá-la. Menina esguia com porte de bailarina, cabelos ondulados na altura dos ombros e sapatinhos de boneca nos pés. Ele sorria para ela e ela desviava o olhar sorrindo timidamente pelo canto da boca. Ele tomou coragem e disse que também nunca beijou, mas isso era um segredo porque seus amigos não poderiam saber, afinal um menino que se preze tem que ter experiências. Ela balançou a cabeça e sorriu, até que ele se aproximou subtamente e a beijou os lábios até que suas línguas se encontraram. Em um sobressalto, a menina correu assustada. E ele continuou de olhos fechados sentindo o gosto da menina em sua boca.

Uma menina


Ana Clara nasceu franzina, com os olhos caídos e miúdos, cabelos castanhos ralinhos. Dava pena até de pegar no colo aquele ser tão mirrado. Olhar triste de criança feliz. Cresceu com os pés descalços, subindo nas árvores, riscando o chão. Morava no mato mas perto da cidade. Criança com alma do interior, que vive perto do caus urbano. Conversava com os cachorros e gatos, corria atrás das galinhas. Cheirava a terra molhada. Clarinha como todos a chamavam, era astuta apesar da timidez, entendia tudo que os adultos falavam. Ela sabia ser silenciosa, observadora e assim fazia com que todos coubessem na palma da sua mão. Ela era pura como toda criança, rezava para o papai do céu sempre que via uma estrela. E nunca esquecia de fazer seus pedidos a Santa Clara, santinha que tinha o mesmo nome que o seu, e que alguém disse que realizava milagres. Ela tinha lápis de cor e tintas coloridas, se deitava no chão e desenhava por horas os seus sonhos. Clarinha sonhava em conhecer o mundo, e nos seus desenhos tinham mar, florestas e até a lua. Quem sabe um dia não se visitaria a lua? Beijava e dava nome a todas as suas bonecas. As de pano eram suas preferidas, principalmente as pobrezinhas que já não tinham mais olhos ou braço. Elas faziam parte de cada brincadeira e eram cuidadas como doentes em fase terminal. A vaidade só nascia na hora de fazer suas trancinhas, impecavelmente arrumadas, que em alguns minutos já estávam um emaranhado de fios soltos. Menina com carinha de anjo, Ana Clara andava dançando, flutuva e chutava bolas. Moleca, corria atrás das borboletas mas sem machucá-las, elas eram suas amigas também. Assim como os sapos, os mosquitos e as joaninhas. Ela pulava amarelinha, muros e corda. Caia no chão e chorava escondido, tinha vergonha das lágrimas. Joelhos machucados e marcas nos cotovelos. Gostava de ser beijada na testa pela sua mãe, e das cócegas que seu pai fazia em sua barriga. Ria com seu sorriso bangelo dos seus 8 anos. E ficava séria de repende com rubor nas bochechas novamente envergonhada. Ela pediu a Papai Noel uma bicicleta de presente, cor-de-rosa e sem rodinhas, mas ela não cabe na meia pendurada na janela. Meia furada menos ainda. Fora que na casa simples no meio do mato não tem chaminé e se deixar a janela aberta os mosquitos fazem a festa durante a noite. Ela pede muito na sua cartinha que ele deixe na porta de casa, mas que não esqueça dela. Seu nariz é pequeno e fino, ar altivo de menina bonita, mas sem jeito, um moleque de tranças. Clarinha que como toda criança, só queria ser criança. Rir de si mesmo. Ter dor de barriga de tanto comer manga no pé.

Machismo

Insegurança é negativo, principalmente se for do sexo masculino. Esse é o meu machismo. Se tem medo, não sai de casa e não conhece ninguém.
Assim como diria a Dona Dora, dona da padaria e da cachorra do Alto da Compadecida, "eu adoro um hôme brabo, me sacode, me sacode"! (risos)

A descoberta do amor


“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez. Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.Pois juro que a vida é bonita.”


Por Clarice Lispector

Não entendo. Alguém pode me explicar?


As vezes não me entendo. Outras tantas, não entendo as pessoas. Não entendo a instabilidade, a mudança, os momentos de dúvida. O sim e o não. Não entendo o medo que dá de tudo desandar, mesmo quando você nem ao certo tem certeza se quer que ande. Não entendo como deixamos os rastros ruins de outras pessoas ainda nos perturbarem tanto. Não entendo como em tão pouco tempo, deixamos um sentimento bonito entrar, mesmo quando você talvez nem queira que ele entre. Mas, mesmo assim se deixa a porta aberta, e isso eu também não entendo. Não entendo como se sente falta, vontade de falar e se quer o bem, de quem mal se sabe da vida, da história. Não entendo como é tão difícil dizer não e aprender a ser só. Não entendo como dizer sim, querendo dizer talvez. Não entendo como depois de tantas quedas, o coração ainda é capaz de vibrar. Não entendo como eu não consigo mais entender tantas coisas que antes eu entendia.

A complicada arte de ver


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".
Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...


O texto acima é de Rubem Alves e foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.

Tentando - Amar em paz ♪


"Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz".

Amar em paz - Vinícius de Moraes

"Caminhando e cantando..."

As vezes me pego presa nos meus pensamentos. Neles discorrem dúvidas frequentes do que será de mim no futuro. Onde estarei daqui a 5 anos, com quem estarei, se terei filhos, se terei um bom emprego, se amarei novamente, se morarei em outro país ou se ainda estarei nessa existência, são perguntas que me faço frequentemente e claro, não obtenho respostas. Seria bom que bolas de cristal existissem e as previsões astrológicas cumprissem exatamente o que dizem, assim como o tarô e o búzios. Eu particularmente não tive muita sorte com esses meios, até hoje eles não acertaram, mais inesperados que eles é o desenrolar da minha vida. Ansiedade? Pode ser, mas o que eu queria mesmo eram certas respostas, estas que poderiam mudar o rumo do meu destino, me fazer seguir pelo caminho correto. Mas, pensando bem? Saber o que vai acontecer deixa a vida tão sem graça, né? Sem surpresas e premeditadas. Lá vou eu me contradizendo novamente. Quero ou não quero saber do meu futuro, oras?!

Momento de indignação

Há uma enorme dificuldade em abrir os olhos das pessoas. Difícil fazer com que a ternura lhes penetre o cérebro. Comovê-las e despedaçar suas almas é fácil. Mas que lucro existe em lhes mudar os sentimentos, se continuam sendo idiotas?

Temperamento impulsivo



“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”


Clarice Lispector

Um tempo de mim

Dando um tempo. Tempo para abrir os horizontes. Tempo para ver o mar. Tempo para ouvir jazz, blues, e dançar tomando vinho tinto seco. Tempo de se dar e dar oportunidades. Tempo de beijos e outras "cositas más". Tempo de esquecer por algumas horas os compromissos profissionais, as causas sociais, os antigos e novos amigos, as cobranças, a crise financeira mundial, a vinda do presidente do Irã, o "ser ou não ser, eis a questão". Um tempo de mim, do meu stress, da insônia, do mês que falta no meu dinheiro. Não quero nada que tome meu tempo. Então, me dê um tempo! Um tempo para mim. Tempo para estar totalmente offline.

Tons de Porto


De volta a Porto de Galinhas. E, não posso deixar de repetir uma antiga frase minha "Que nunca mais você deixe de pensar em mim quando for a Porto de Galinhas, e escutar Bossa Nova em algum lugar que passar". Dias de sol na praia e noites regadas de vinho e música. A vida é assim, o mesmo lugar, momentos e companhias diferentes, felicidade semelhante. E como diz meu querido Prof. Tedesco "assim, eu vou navegando no barquinho da vida".

"É com esse que eu vou sambar até cair no chão. É com esse que eu vou desabafar na multidão. Se ninguém se animar. Eu vou quebrar meu tamborim ..." ♪

O amor acaba - Paulo Mendes Campos


O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Dois ou três almoços, um silêncio. Fragmentos disso que chamamos de "minha vida"


Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos. Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas. Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece. De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia. Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria. Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.


Por Caio Fernando Abreu (Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", 22/04/1986)

A língua girava no céu da boca


"A língua girava no céu da boca. Girava!
Eram duas bocas, no céu único.
O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-nos seus traços de cobre.
Eu, ela, elaeu.Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu.
A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava.
Consumia-nos em piscina de aniquilamento.
Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós.
A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência.
O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor."

Carlos Drumond de Andrade






Extraído do livro "O amor natural", Editora Record – RJ, 1992, pág. 29.
Ilustrador: Caco Xavier

O Rio Capibaribe por um olhar poético e político


Tu vens de muito longe, há muito tempo, desde que te chamavam de Caapiuar-y-be. Vences barreiras, abres veredas – e chegas aqui qual amante que se aloja no leito da mulher amada: ora forte, exuberante; ora sinuoso, como que a contorcer-se preguiçoso e carente após tremenda peleja. A cidade amada o acolhe sequiosa do teu vigor e do teu afeto. O tempo, porém, sob o vendaval da moderna desordem, perturba a tua relação com a cidade como os desencontros da vida ameaçam uma relação de amor. Já não és mais aquele, que ao olhar do poeta Cabral “Engoliu as terras, engoliu as casas,/Engoliu as cercas/E engordou seu corpo/Engolindo as noites, engolindo os dias.” Fostes envolvido pela sanha do lucro, do fausto, da ambição, da desesperança, da dor, do desamor. Agora, quando tu encontras o teu irmão gêmeo, o Bebyrype, e se abraçam ao encontro do imenso oceano, parece-se enfim derrotado. Mas ainda conservas a energia que brota do teu nascedouro, fonte renovável de tua força; e a cidade, essa amante cruel, como que arrependida, parece enfim acordar da longa noite de insensatez e, envolta pelo clamor da reinvenção da vida busca reiventar-se a si mesma e te reencontrar como dois seres que se amam retornam à pureza do primeiro encontro.

Essa minicrônica escrevi para a revista Perto de Casa, a pedido da editora Taciana Valença, em dezembro do ano passado. A inseri em meu comentário introdutório à audiência pública acerca do tema Impactos econômicos, urbanísticos e ambientais do Projeto Capibaribe Melhor, realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara Municipal do Recife, nesta sexta-feira 13, com a participação de gestores públicos e diversificados segmentos da sociedade civil.

É preciso abordar os problemas centrais da cidade com rigor técnico, sim, e sobretudo com sensibilidade e compromisso social. Mais: sem deixar que a denúncia, o protesto e a polêmica – sempre úteis ao processo democrático – nos leve a perder a leveza e a esperança, que dão sentido e beleza à nossa luta em defesa da vida.O Projeto Capibaribe Melhor, pelo qual lutamos desde 2005, na gestão do prefeito João Paulo (de quem fui, com muita honra, vice-prefeito), agora se confirma com o financiamento do BIRD (70% dos 46,8 milhões de dólares orçados). Beneficiará a Bacia do Capibaribe, no trecho da BR 101 à Av. Agamenon Magalhães, proporcionando melhores condições de habitabilidade a 56.349 famílias (116.244 habitantes à margem direita e 109.152 à esquerda). Saneará cerca de 20 áreas à margem do rio e recuperará 11 canais. Construirá 2 pontes, pavimentará 30 ruas e avenidas, implantará uma ciclovia e viabilizará 3 parques.Um projeto de dimensão estratégica para a cidade – que deve ser acompanhado, sim, por toda a sociedade.


Luciano Siqueira- Artigo publicado no site da revista Algo Mais

Não Comerei da Alface a Verde Pétala


"Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.


(Iludia-se o poeta. Num tempo em que as coisas andaram meio pretas, ele teve que se enquadrar direitinho e andou comendo legumes na água e sal como qualquer outro)".


Vinícius de Moraes - Fonte: www.releituras.com

Dane-se!

Sem maiores alardes, apenas um desabafo.

O egoísmo é uma merda. Ops! Foi mal...


Descubra se você é um ser despresível e egoísta. Ou seja, um merda!

Egoísmo (ego + ísmo) é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. Neste sentido, é o antônimo de altruísmo.
O
egocentrismo caracteriza-se pela fantasia de imaginar que o mundo gira em torno de si, tomando o eu como referência para todas as relações e fatos. Uma pessoa egoísta pode não ser egocêntrica, uma vez que luta para fazer com que os fatos se amoldem a seus interesses. A pessoa egocêntrica é egoísta, no sentido de que não consegue imaginar que não seja ela a prioridade no mundo em que vive. O egocentrismo é próprio da infância, como passagem para que a criança possa aprender a noção de referência a partir do eu e então aprender.

Natural ou adquirido? Há controvérsia se o egoísmo é uma característica natural humana ou se é um hábito adquirido, como um vício moral da pessoa. A psicologia do desenvolvimento observa que a infância se caracteriza pela passagem de uma atitude naturalmente egocêntrica - em que a criança tem por referência seu organismo e suas necessidades - para uma atitude social e interativa. Deste modo, o egoísmo seria a recusa da pessoa em deixar essa fase infantil, uma luta por manter viva a fantasia do egocentrismo.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Eu não sei quase nada. Ou, quase tudo?

"De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada".
Quase nada - Zeca Baleiro

Pedra do caminho


Sinto falta de muitas coisas nessa vida. Tenho saudade de andar de bicicleta na infância e sentir a sensação de liberdade. Saudade do cheiro da comida da minha madrinha nos domingos. Saudade dos amigos de escola que ficaram apenas na lembrança. Saudade dos amigos de infância que fazem parte da minha vida, mas que só vejo nas confraternizações de fim de ano, e olhe lá. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade dos brinquedos que foram tão desejados, mas doados assim que eu cresci e esqueci deles. Saudade de uma cidade do interior onde ia para colônia de férias. Saudade de mim mesma, quando eu tinha mais audácia e menos medo de ser imatura.

Dóem essas saudades todas. Nostalgia dos tempos que já não podem mais ser vividos. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se amou. Que não se sabe mais o nome do que ainda sente ou se ainda sente qualquer coisa. E talvez eu nunca saiba que nome dar a essa saudade. Porque é uma saudade da voz, do cheiro e das manias. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Eu podia ir onde quer que fosse, mas se sabia onde eu estava. Eu podiria ficar um dia sem vê-lo, ou uma semana, mas sabia que esse amanhã existiria. Mas quando um dia o amor de um acabou, ao outro sobrou uma saudade que ninguém sabe deter, nem explicar, nem me dar todas as dicas do mundo, simpatias ou mandingas, mas nada consegue explicar essa saudade que ficou e nem o porque dela ainda existir depois de tantos meses. Saudade que não dá para saber, se vai. Porque dias depois, ela volta. É não saber mais se continua gripando no inverno ou sentindo as suas dores de cabeça tão comuns. Não saber se ainda usa a camisa que eu dei. Não saber se está estudando como prometeu. Não saber se tem comido demais ou de menos, se ainda faz exercícios. Se aprendeu a sorrir nas fotos. Se aprendeu a beber uísque ou se continua apenas na Skol ou Antártica, e se continua odiando cigarro. Se continua gostando de sushi de polvo ou se enjoôu. Se continua sorrindo de si mesmo quando faz algo engraçado ou mesmo "sem graça". Se ele continua sem saber dançar. E se em algum momento pensa se eu estou bem. Bem de saúde, se me formei, se consegui os objetivos que eu tinha traçado. Talvez eu nunca saiba disso. Saudade deve ser mesmo não saber do outro e eu que não entendo. É não saber encontrar modos de parar o pensamento e não se preocupar com que está acontecendo hoje e o que acontecerá amanhã. Não saber como parar de ficar por minutos entristecida diante de uma música, mesmo já fazendo tanto tempo, mas na hora vem a grande explicação, é a falta de notícias. É não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche, e sentir vergonha de dizer para as amigas que ainda sente saudade. Saudade de alguém que me apagou das lembranças, com uma grande borracha chamada distância. E isso eu nunca vivi e espero nunca mais viver em qualquer outra relação. Tantos dias ao lado de alguém, uma amizade e parceria intensos, e simplesmente como um passe de mágica essa pessoa não sabe nem mais quem sou eu. Nem sabe se ainda estou viva. A amizade desapareceu, e isso não faz parte das relações, não assim. Estranho e inusitado quando se davam tão bem e não ouve grandes problemas, além do fim que já era predestinado.

Não se sente mais, e eu não quero que sinta igual ou sequer parecido. Mas eu sinto. Sinto falta de saber notícias.

Mas de forma antagônica, minha saudade também não quer saber. Não quer saber como está seu namoro com outra pessoa, se ela é bonita ou feia, se ele está feliz, se ele está mais magro... Essa saudade não quer nunca mais querer saber de quem se amou, e ainda assim, dói. É cansar de dizer a todos que estou bem, que não sinto mais amor, mais que não quero nada além do que "constante" com outra pessoa. Que quero alguém para voltar a amar, muito mais do que amei essa saudade, e não apenas uma mera companhia que me faça rir. Quero o AMOR com letras garrafais. Estar por estar, prefiro a minha própria companhia, pelo menos ela eu não sinto saudade.

Cair de joelhos dói. Trancar o dedo numa porta dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, uma rasteira, um pontapé, um beliscão...doém. Dói morder a língua, dói cólica, dor de barriga e topada no pé. Mas o que mais dói é a falta de notícias, um esquecimento, o corte de todos os laços. Até o de amizade. Essa saudade é como uma pedra no caminho.

Independente Futebol Clube


Um rápido olhar sobre as ruas e praças da nossa cidade e logo destaca-se a crescente e colorida presença das mulheres, marcando fortemente uma diferença ao tempo de nossas mães. Nas últimas décadas vem ocorrendo uma grande mudança nos hábitos e costumes da população, progressivamente nota-se que nos restaurantes, bares, nas lojas, bancos, empresas, nas escolas e universidades, ou nas delegacias, o número de mulheres aumentou consideravelmente, mesmo que muitas vezes não estejam nos postos de comando ou com os melhores salários . Ainda assim, as mulheres já ocupam cargos altos na política, e ainda com representantes negras, que é um avanço e tanto na luta contra o preconceito no âmbito geral.
Nós desconhecemos a história do feminismo no Brasil, afinal este não é um país onde o sentido histórico seja predominante. Esse desconhecimento não deve nos fazer concluir que o movimento feminista não tenha tido um forte impacto sobre as estruturas sociais e econômicas, sobre as instituições políticas e principalmente sobre o modo de pensar das pessoas. Aliás, tentando satisfazer à sua possível curiosidade, apresso-me a dar algumas pinceladas sobre a história do movimento feminista brasileiro das últimas décadas.
Quarenta anos depois da conquista do direito feminino de voto no Brasil, em 1932, mas também da vitória dos padrões normativos da ideologia da domesticidade, entre os anos trinta e sessenta, assistimos à emergência de um expressivo movimento feminista, questionador não só da opressão machista, mas dos códigos da sexualidade feminina e dos modelos de comportamento impostos pela sociedade de consumo. No contexto de um processo de modernização acelerado, promovido pela ditadura militar e conhecido como “milagre econômico”, em que se desestabilizavam os vínculos tradicionais estabelecidos entre indivíduos e grupos e a estrutura da familiar nuclear, as mulheres entraram maciçamente no mercado de trabalho e voltaram a proclamar o direito à cidadania, denunciando as múltiplas formas da dominação patriarcal.
Nas últimas décadas, principalmente em meados dos anos 80, os homossexuais masculinos e femininos se organizaram, ao lado de outras “minorias” sociais, e se manifestaram em movimentos políticos reivindicando o “direito à diferença” e questionando radicalmente os padrões dominantes da masculinidade e da feminilidade. O movimento negro fortaleceu-se, invadindo os espaços públicos das universidades às praças, defendendo o “black is beautiful”, e colocando em cena as novas exigências e críticas das mulheres negras, diferenciando-se, por sua vez, das demandas dos feminismos “brancos”, hoje elas estão na mídia e como protagonista de novela das 8, com uma negra belíssima chamada Taís Araújo.
A contrapartida à violenta ditadura militar foi a explosão de uma vigorosa cultura da resistência, que se expressou na crítica política ao regime, a exemplo das composições musicais de Geraldo Vandré, Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Gilberto Gil, assim como na proposta de modos alternativos e libertários de vida em sociedade, a exemplo do movimento hippie. Inicialmente dirigida ao regime militar, a “revolução cultural” em curso nas décadas de sessenta e setenta, no país, estendeu seus questionamentos à sociedade burguesa mais ampla, encontrando várias correntes do pensamento internacional envolvidas com a crítica à modernidade. Assim, paradoxalmente, no mesmo momento em que se vivia aqui uma violenta repressão política e cultural, que afetava radicalmente a vida pública, cerceando a palavra e a ação, desfazendo os antigos espaços de sociabilidade e interação social, assistia-se à emergência de novas formas de produção cultural, tanto nos setores ligados às lutas da resistência, quanto entre os mais indiferentes, ou mesmo comprometidos com a ditadura militar. Multiplicavam-se os espaços culturais e desportivos, tanto dos que pregavam o “culto californiano do corpo”, quanto dos que criticavam as formas sociais aburguesadas e que, inspirados pelos orientalismos, recorriam à yoga, aos relaxamentos terapêuticos, aos tratamentos psicológicos e psiquiátricos, à alimentação macrobiótica e naturalista.
A classe média urbana, em especial, passou a solicitar e desfrutar das inúmeras formas de tratamento psicológico, ao viver de maneira brutal a ruptura de antigos padrões de relações familiares, a quebra dos antigos modos de sociabilidade e a destruição da esfera pública e das antigas formas de convívio e solidariedade.(Figueiredo, 1994)Nesse contexto de crise e de construção de novos modelos de subjetividade, desde os anos setenta, emergiu o “feminismo organizado”, como movimentos de mulheres das camadas médias, na maioria intelectualizadas, que buscavam novas formas de expressão da individualidade.(Goldberg, 1986) Em luta contra a ditadura militar, defrontavam-se com o poder masculino dentro das organizações de esquerda, que impediam sua participação em condições de igualdade com os homens nos movimentos então construídos. Assim, as primeiras organizadoras dos grupos e jornais feministas, em meados daquela década, iniciaram um movimento de recusa radical dos padrões sexuais e do modelo de feminilidade que suas antecessoras haviam ajudado a fundar, nos inícios do século 20. Mais do que nunca, as feministas colocaram em questão o conceito de mulher que a afirmava enquanto sombra do homem e que lhe dava o direito à existência apenas como auxiliar do crescimento masculino, no público ou no privado.
Paralelamente aos movimentos sociais que se levantavam contra a ditadura militar, - como o movimento das mulheres que se organizava na periferia das principais cidades - mas que não incluía em sua agenda as bandeiras do feminismo -, as feministas propuseram-se, desde meados dos anos setenta, a denunciar a dominação sexista existente inclusive no interior dos grupos políticos, de sindicatos e partidos de esquerda.(Alvarez, 1988) Marcadas por uma experiência política de oposição, já que muitas eram ex-ativistas políticas e vinham do exílio forçado no exterior, ou então, das prisões, entenderam que o movimento pelos direitos das mulheres, no Brasil, deveria ser diferenciado e não subordinado às lutas que despontavam em múltiplos espaços sociais e políticos pela redemocratização no país.
Acima de tudo, as primeiras feministas brasileiras questionavam radicalmente as relações de poder entre os gêneros, que se estabeleciam no interior dos grupos políticos de esquerda e lutavam para impedir que a dominação machista fosse diluída ou subsumida pelo discurso tradicional da Revolução. No entanto, muitas traziam uma referência ideológica marxista, a partir da qual pensavam as relações entre os sexos. Assim, logo que estabeleceram as estratégias e táticas de seu movimento, definiram que o alvo maior de sua preocupação deveria ser as trabalhadoras, consideradas não Esta postura obedecia a algumas estratégias políticas: de um lado, obter o reconhecimento social de um movimento que colocava as mulheres como alvo principal; de outro, conseguir a aliança dos demais setores da esquerda, envolvidos na luta pela redemocratização, onde os homens davam as cartas e enunciavam um discurso político bastante característico. Além do mais, nesse momento, o marxismo ainda era considerado o principal instrumento teórico de análise no campo da política revolucionária.
O feminismo, nesse contexto, procurou pautar-se pela linguagem predominante na esquerda do país, dominando não apenas os conceitos marxistas, mas procurando provar como, em cada uma das questões levantadas pelos líderes e partidos políticos, era possível também perceber a dimensão feminina. Em suma, falando a linguagem marxista-masculina, as feministas esforçaram-se para dar legitimidade às suas reivindicações, para valorizar suas lutas e apresentarem-se como um grupo político importante e digno de confiança. Por isso, o editorial de NÓS MULHERES, publicado a 7 de março de 1978, propunha: “ Que as coisas fiquem claras: mantemos a firme convicção de que existe um espaço para a imprensa feminista, que denuncia a opressão da mulher brasileira e luta por uma sociedade livre e democrática. Acreditamos que a liderança da luta feminista cabe às mulheres das classes trabalhadoras que não só são oprimidas enquanto sexo, mas também exploradas enquanto classe.
”A idéia de que o conceito de classe deveria ser priorizado em relação ao de sexo revelava, portanto, que a apropriação da linguagem masculina, marxista ou liberal, era fundamental para se conseguir a aceitação na esfera pública masculina, que progressivamente se reconstituía. Era, portanto, uma estratégia de reconhecimento político e social fundamental num momento em que as barreiras para a entrada das mulheres no mundo da política eram pesadas demais, seja as impostas pela ditadura militar, seja as criadas pela própria dominação masculina, de esquerda ou de direita.

Na segunda metade da década de setenta e inícios de oitenta, nasceram inúmeros grupos feministas, mais ou menos próximos do campo marxista e dos grupos políticos de esquerda, ao mesmo tempo que abertos para os novos horizontes teóricos e políticos que se abriam no país, sobretudo com os “novos” movimentos sociais. Assim como outros grupos denominados de “minorias”, as feministas buscavam criar uma linguagem própria, capaz de orientar seus rumos na construção da identidade das mulheres como novos atores políticos.Somente depois desse primeiro momento de afirmação do feminismo enquanto movimento social e político que lutava pelos direitos das mulheres, mas que também se colocava na luta pela redemocratização do país, é que as feministas passaram a propor uma nova concepção da política, ampliando os próprios temas que constituíam o campo das enunciações feministas na esfera pública. Assim, questões antes secundarizadas como essencialmente femininas e relativas à esfera privada, isto é, não pertencentes ao campo masculino da política – a exemplo das relativas ao corpo, ao desejo, à sexualidade e à saúde – foram politizadas e levadas à esfera pública, a partir da utilização de uma linguagem diferenciada, que além do mais, permitia enunciá-las. Nesse momento de crítica acentuada à racionalidade ocidental masculina, já não mais definida apenas como burguesa, partiu-se para a afirmação do universo cultural feminino, em todas as dimensões possíveis. Isto implicava, no campo conceitual, a emergência de uma linguagem especificamente feminina e daquilo que se considera como uma “epistemologia feminista”, suficientemente inovadora em suas problematizações e conceitualizações, para apreender as diferenças.(Rago, 1998)Por vários lados, as feministas passavam a feminizar-se valorizando a linguagem feminina, os atributos e os temas femininos, o que significava mais do que um simples retorno aos seus valores próprios, um alargamento do campo conceitual, através do qual teciam suas críticas à sociedade patriarcal capitalista, revelando suas armadilhas e limitações. Mais do que nunca, passaram a pensar em si mesmas sob uma ótica própria, dando visibilidade ao que antes fora escondido e recusado, o que inevitavelmente levou a uma radicalização da potencialidade transformadora da cultura feminista em contato com o mundo masculino. Tratava-se, então, não mais de recusar o universo feminino, mas de incorporá-lo renovadamente na esfera pública, o que se traduziu ainda por forçar um alargamento e uma democratização desse mesmo espaço.As questões do mundo privado, da subjetividade, da família, da sexualidade, das linguagens corporais ganharam visibilidade e dizibilidade, tanto na prática cotidiana dos grupos feministas, quanto nos debates acadêmicos e nas reuniões dos militantes.
A ampla crítica cultural feminista não deixou de lado as próprias representações do feminismo, veiculadas na imprensa alternativa de esquerda, especialmente a partir da publicação do jornal MULHERIO, entre 1981 e 1988. A antropóloga Eliane Robert Moraes, por exemplo, num sugestivo e inteligente artigo perguntava-se “Feminista é Mulher?”, endereçando suas críticas tanto aos “rapazes” do jornal O Pasquim, para as quais as feministas só poderiam ser mulheres feias e mal-amadas, quanto às próprias feministas que reforçavam uma imagem negativa de si mesmas. Enfim, perguntava-se por que lutar pela autonomia feminina implicava numa dessexualização e num certo embrutecimento da mulher. O próprio jornal, em edição de março-abril de 1981, explicava seu título, afirmando:“Por que Mulherio? Mulherio. Quase sempre a palavra é empregada em sentido pejorativo, associado a histerismo, gritaria, chatice, fofocagem, ou então, “gostosura”. Mas qual é a palavra relacionada à mulher que não tem essa conotação? (...)Mulherio, por sua vez, nada mais é do que “as mulheres”. E’ o que somos, é o que este jornal será. “Sim, nós vamos nos assumir como Mulherio e, em conjunto, pretendemos recuperar a dignidade, a beleza e a força que significam as mulheres reunidas para expor e debater seus problemas. De uma maneira séria e conseqüente, mas não mal-humorada, sisuda ou dogmática.”Enfim, nesse novo feminismo, a estética, os cuidados de si, a saúde e a beleza do corpo passavam a fazer parte do leque temático sem, contudo, significar uma adesão acrítica aos ideais de beleza veiculados pela mídia. Muito ao contrário, passavam a compor as discussões relativas à saúde, vista agora numa perspectiva ampliada. Assim, vários artigos discutiam que tipo de beleza as feministas desejavam (“A beleza produzida”, “Espelho, espelho meu”, de Sivia Beck), enquanto a psicanalista Maria Rita Kehl questionava a aceitação/negação machista do corpo feminino, aceito apenas enquanto expressão de um determinado padrão estético:< “Se os homens afirmam que vêm na mulher antes de mais nada belos contornos, considero isso como um empobrecimento de sua capacidade de olhar e ver. Estou convencida de que nosso olhar sabe encontrar no homem sinais do que ele é, além dos contornos de sua musculatura.” (KHEL, Maria Rita. Mulherio, ano 2, no.5, jan-fev.1982, p.14-15).
A psicanalista feminista reforçava sua crítica observando como para ser ao mesmo tempo “moderna e atraente dentro dos padrões da boneca de luxo de antigamente”, as mulheres precisavam consumir muito mais, no interior de um sistema de referências ditadas pelo mundo masculino, em que o corpo feminino deveria ser ágil, limpo, magro, cheiroso e rígido. Propunha radicalmente “a subversão de nossos conceitos estéticos”: “A maior beleza é a do corpo livre, desinibido em seu jeito próprio de ser, gracioso porque todo ser vivo é gracioso quando não vive oprimido e com medo. E’ a livre expressão de nossos humores, desejos e odores; é o fim da culpa e do medo que sentimos pela nossa sensualidade natural; é a conquista do direito e da coragem a uma vida afetiva mais satisfatória; é a liberdade, a ternura e a autoconfiança que nos tornarão belas. É essa a beleza fundamental.” (idem) O repensar das práticas feministas levou, ainda, à decisão de abrir os guetos feministas e encontrar os inúmeros canais disponíveis e outros movimentos que ocorriam na sociedade.
As feministas ampliaram seu raio de atuação, entrando nos sindicatos, partidos, espaços de diferentes entidades da sociedade civil e, sobretudo, no “movimento de mulheres”, que se articulara, desde os anos setenta, na periferia de algumas cidades, como em São Paulo, apoiado pela Igreja de esquerda e pelos grupos políticos envolvidos na luta pela redemocratização. Esse movimento, embora mobilizasse um número excepcionalmente grande de mulheres, não levantava questões feministas como bandeira de luta. Lutava por creches, por transportes urbanos, por melhores condições de vida sem, contudo, serem incluídas questões femininas importantes, como o aborto e a violência sexual contra as mulheres, temas bastante pertinentes nos meios pobres e ricos. Assim, o contato que se estabeleceu entre os dois movimentos liderados pelas mulheres – o movimento feminista e o movimento de mulheres – foi certamente muito lucrativo para todas. Para as feministas, porque passavam a atingir uma rede muito mais ampla de mulheres; para as mulheres pobres da periferia, porque lhes traziam questões que dificilmente seriam enunciadas espontaneamente, como as referentes à moral sexual, ao corpo e à saúde. Fundamental nessa associação, o feminismo desenvolveu e ampliou suas bandeiras de luta, dando destaque às questões da violência contra as mulheres e dos direitos reprodutivos. Vale lembrar que, nesse período, e como parte de seu próprio processo de abertura aos diferentes canais de participação social e política, o feminismo também se caracterizou por iniciar um diálogo com o Estado, sobretudo a partir de 1982, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina, em São Paulo. Em 1985, surge a primeira Delegacia Especializada da Mulher. Para muitas, isto significou um enorme perigo de institucionalização dos movimentos feministas, ameaçados de ser absorvidos pelo Estado “pós-autoritário”, mas ainda machista, enquanto outras julgaram os benefícios que daí poderiam resultar. Assim, se de um lado foram implementados determinados programas de ação como o PAISM – Plano de Assistência Integral à Saúde da Mulher – em 1984, a partir das propostas feministas de cuidados com o corpo e a saúde, de outro, várias feministas apontaram para as dificuldades de implementação efetiva do programa, que não contava com o apoio necessário do Estado.
Sem dúvida, são enormes as conquistas realizadas pelos feminismos em todos os campos da vida social, ao longo dessas décadas, especialmente no que se refere à aceitação das mulheres no mercado de trabalho e ao seu reconhecimento profissional. Por outro lado, não há como negar o fato de que todas as conquistas arduamente ganhas ao longo dessas últimas décadas pelos feminismos não estão consolidadas. Ao contrário, são continuamente ameaçadas por pressões machistas as mais conservadoras. Uma das principais queixas das “novas mulheres”, em geral, é a dupla jornada do trabalho e o acirramento da competição no mundo masculino. As duas questões não podem ser dissociadas, se considerarmos que a exigência da qualidade do trabalho feminino ainda é muito maior do que a que se dá em relação aos homens. As mulheres ainda pagam um alto preço por participarem da vida pública, como continuam a denunciar as feministas. Na verdade, a libertação feminina acarretou um aumento muito grande do trabalho feminino, especialmente para as casadas ou com filhos. A guerra entre os sexos não terminou e, aliás, se acentua nos novos fronts: o profissional e o afetivo, transformando radicalmente o modo de pensamento, com suas problematizações diferenciadas.

Você que é mulher e leitora do meu blog, já pode se retirar, percebendo que a mulher no Brasil do século 21 deixou de referir-se à prostituta, aliás, associação da qual atualmente quase ninguém mais se lembra...sorte a nossa!


Pesquisa em várias fontes. Algumas referendadas no texto.

Lula lá!



É pouco ou quer mais....FHC, o farol, o sociólogo, entende tanto de sociologia quanto o governador de São Paulo, José Serra, entende de economia.
Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; que não entende de economia, pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o “analfabeto”, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos, e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade.
Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares, e não quebrou a previdência como queria FHC.
Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG - Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.
Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis.
Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8.
Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista.. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.
Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos), uma mulher no cargo de primeira ministra, e pode fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir, e hoje o PAC é um amortecedor da crise.
Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre.
Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual.
Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação direta com Bush - notada até pela imprensa americana - e agora tem a mesma empatia com Obama.
Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador, lá, nos "States".
Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.
Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.
Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.
Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.
Lula, que não entende nada de nada, é melhor que todos os outros.



Pedro R. Lima,
professor UERJ
Enonomia Redator
VEJA ABRIL

Um pouco de humor nesse domingo

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Livre para me prender


É muito bom amar. Mas, tem momentos que os amores aprisionam e é bom sentir o meu coração limpo, livre.
Sinto prazer em trabalhar. Mas, o emprego aprisiona, toma meu tempo, mas se eu não tiver como sobreviver e aí?
Adoro meus amigos. Mas, os amigos as vezes aprisionam, me solicitam demais e até dependem da minha opinião para tomar uma atitude.
É importante pensar na vida. Mas, o pensamento pode ser seu pior inimigo, ele tira meu sono, tem mania de me aprisionar na minha própria mente.
Minha família é meu ar. Mas, eles quase sempre me aprisionam querendo que eu declare meu amor, mesmo quando meus atos já dizem tudo.
As alianças são lindas e feitas de ouro. Mas, aprionam à dois, por isso ainda tenho medo delas.
O sexo é um dos maiores prazeres da vida. Mas, se você faz o que sente pode se arrepender, se não faz pode se arrepender também, e se envolver com a pessoa errada também pode se arrepender ainda mais, então o sexo aprisiona e muito, de uma forma ou de outra.
Os livros são uma excelente companhia. Mas, quando o livro é bom ele me aprisiona até as últimas páginas.
Escrever é uma paixão. Mas, até as palavras aprisionam quem escreve e libertam quem lê, por isso ainda uso as palavras. Para libertar você. Para me prender. Para me prender a liberdade de escolher - Para que prisão eu vou agora?

Leite derramado - Chico Buarque


Nesse dia de sol, quase sem nuvens lá fora, estou fungando em casa com mais um resfriado, aliás, isso é comum quando se trata de mim. Então, como não posso desfrutar de um bronze a beira-mar devido a essa mazela que me atormenta nesse feriado, começei a ler ontem o livro de Chico Buarque Leite Derramado, comprado tem uns 3 meses e estava na fila para ser lido, e o li com tanta sede que ainda hoje pela manhã tive o prazer de concluí-lo. Digo prazer, porque assim como Benjamim e Budapeste, livros dele que também li, Chico tem uma linguagem que deixa você grudado nele até chegar a última página em êxtase.

Leite derramado é um livro que conta a história de um ansião de 100 anos que descreve toda sua tragetória de vida, desde sua infância, até a decadência de sua família "Assumpção" com "p" mudo, com fatos histórios e detalhes de uma vida, claro, com a memória falha de uma idoso. É uma história envolvente, por vezes até confusa, assim como é alguém que tem tantas histórias para contar, e com tantas pessoas que passaram em sua vida.

Vindo de Chico Buarque, esse livro não tem como não ser um boa obra, tudo que ele faz, inclusive suas músicas são de extrema delicadeza e um olhar profundo sobre a realidade. Como sua fã, fica até feio para mim fazer tantos elogios, parece até que mesmo se o livro não fosse bom, eu elogiaria da mesma forma. Mas nem pensem isso, o livro é um espetáculo, digno de platéias enormes aos aplausos, como são os shows do seu autor.

América medita


Só uma perguntinha

Espelho, espelho meu, existe alguém mais sentimental que eu?

Um sonho


Todos nós temos projetos de vida, ou mesmo sonhos idealizados. Uns querem viajar o mundo com uma mochila nas costas, outros querem correr uma maratona, tem aqueles que sonham em conhecer Paris e tantas moças que sonham em um dia casar de véu e grinalda ao som da marcha nupcial. Aos 30 anos me deparo com questionamentos que talvez antes não tinham ao menos passado pela minha cabeça. Sempre tive sonhos comuns, me formar, ter um bom emprego, conhecer lugares novos, ter estabilidade financeira, quem sabe ter um carro popular e para completar a vida "perfeita", ter alguém para juntar as escovas de dentes. Mas, quando páro e penso em qual é o meu maior sonho, digo com toda certeza que é ser mãe. Dentro de tudo que desejo para mim, o que mais me enche de expectativas é a maternidade. É algo mais forte do que todos os outros sonhos ou projetos de vida, é o que eu quero para mim.

Acredito que a maioria das mulheres tem o desejo de ser mãe, e tantas outras só despertam quando tem seus filhos nos braços, e algumas outras literalmente não nasceram para isso. Eu nasci para ser mãe, tenho certeza. Não que me encante hoje em dia que ainda não sou mãe com limpar "cocô" e acordar de madrugada com um choro estridente, mas sendo de um filho meu, um pedacinho de mim, isso se tornará algo incrivelmente prazeroso.
Deve ser mágico gerar uma criança, é ter um serzinho dentro da sua barriga que depende única e exclusivamente do que você fornecer de alimentos e sensações. A natureza é perfeita, e ser mãe além de tudo é instintivo. O tal do instinto materno, que nunca senti, mas imagino o quão forte deve ser. Nós mulheres "não-mães" temos uma capacidade enorme de amar filhos de outras mulheres, imaginem o quanto amados serão os nossos.

Ninguém sabe o dia de amanhã, mas mesmo que eu não consiga gerar um filho, terei em meus braços o filho de outra mulher e o chamarei de meu, através da adoção. Talvez até se tiver meus próprios filhos, adotarei outro. A minha capacidade de amar é enorme. E ser mãe vai bem mais além de gerar, é ser presente da vida do filho e ensiná-lo a andar passo a passo pela vida.
Quero educar meu filho num ambiente tranquilo, de paz e harmonia para que ele seja uma criança doce, segura. Quero ensiná-lo virtudes como honestidade e amizade, e como cultivá-los ao longo da vida. Quero mostrá-lo as melhores músicas, os melhores lugares, os melhores cheiros e sensações. E também fazer com que ele descubra o que é melhor para ele. Quero sentir seu cheirinho, beijá-lo no rosto e dizer repetidas vezes o quanto ele é importante e o tamanho do meu amor. Seja ele como for, ele vai ser a criança mais linda e feliz, porque farei tudo o que puder para ser uma boa mãe.
Não quero passar por essa existência sem essa experiência. Eu desejo com todo meu sentimento que esse dia não demore a chegar, que o meu sonho de ser mãe se realize. De forma plena, responsável e consciente.

Recife, minha cidade


Recife, cidade das pontes e luz
Das praças e coretos
Dos dançarinos de frevo que voam pelo ar
Do Rio Capibaribe, tão declamado em versos
Dos casarios históricos, dos botequins e cheiro de mar
Dos coqueiros a balançar na beira da praia
E de ondas que parecem cantar

Recife, cidade de gente trigueira
Com sangue quente e vontade de lutar
Dos sorrisos das crianças cheias de esperança
Das mulheres com seus filhos no colo a embalar
Do sapateiro, do pedreiro e da bordadeira
Do negro, do mulato e do branco, que abastança!
Que fazem a todos amar

Recife, cidade do sol quente
Do calor e do suor
Da luta de gente decente
Que não se abate com qualquer pesar
Do Leão do Norte
Da história de lutas e de mortes
Que fez seu povo ser forte

Recife, cidade da cultura
Das raízes negras, indígenas e portuguesas
Com seus azulejos cheios de história
Das senzalas marcadas pela ira
Dos batuques, do frevo, da mistura
Do povo que dança e canta suas belezas
De um passado cheio de glória

Recife, cidade do mangue
Dos carangueijos do lamaçal
De Chico, de Manoel, de Maria e de João
Todos dão seu sangue
Pelo progresso e pelo pão
Pela cidade que cresce, de forma colossal
Do povo que quer apenas, paz e união.

"Caminhos que me levam, não tem sul nem norte..."


Interessante os rumos que muitas vezes damos à nossa vida. Por vezes deixamos coisas lindas para trás, e muitas outras fazemos coisas que nem desejamos lembrar. Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado de um amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos com ele e não tivemos, por todos os shows, livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados. Sofremos, não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo de infância, para nadar, para namorar, para tomar um café com as amigas. As vezes ficamos tristes, não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias e ela estivesse interessada em nos compreender. Nos lamentamos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar até hoje. Mas, de que vale a vida se o caminho não for tortuoso? Se tudo fosse fácil nós não daríamos o valor devido. Reclamamos na hora, mas depois compreedemos. Nós temos que levar quedas na vida porque é muito gostoso a sensação de "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima..." A vida é assim, a gente sempre fica na dúvida, é direita ou esquerda? E vamos...Se errar, volta tudo e recomeça. Afinal, esse é o caminho. O nosso caminho.

Chega de Saudade ♪

Vontade de falar sobre a Bossa...tema do meu blog, mas que a tempos não escrevo sequer uma linha sobre as músicas que não canso de ouvir.

As vezes páro é penso, acho que nasci na época errada. Para alguns críticos a Bossa Nova teve início em meados de 1958, ou seja, minha mãe tinha apenas 3 anos e eu coitada, nem sonhava em existir. E, de onde veio esse interesse por uma manisfestação musical tão antiga? Sinceramente, acho que foi das músicas de Toquinho que ouvia na minha infância, daí fui procurando mais coisas dele, e veio Vinícius, João Gilberto e aí foi...Tenho uma prima também que tocava violão para mim e a partir daí chego a me arrepiar com o som das cordas de um violão, mesmo não tendo vocação nenhuma para tocar. Lembro também que na minha adolescência fiz amigos que também adoravam Bossa, tocavam violão e declamavam os sonetos. Boas lembranças da época que a nossa bebida era run com coca-cola, e virávamos a noite cantando músicas de amor, enquanto os demais adolescentes faziam rodinhas para cantar Legião Urbana. Não que eu não goste de Legião, mas que era diferente, era sim, um grupo de boêmios em formação no auge da adolescência cantando "Chega de Saudade"...

Sou completamente apaixonada pela música que mistura o jazz e o samba. Que fala de amor e de dor. Que traz a boemia com classe. Que traz as letras mais bonitas da música popular brasileira.

Eu vivo


Hoje entendo que a ansiedade é desnecessária pois não sabemos as verdadeiras razões dos acontecimentos. Começo finalmente a entender que o sofrimento é causado por nós mesmos. Falo por mim, que sempre fui alguém ansiosa, que sempre viveu em constante busca. Busca de quê? Sempre de coisas humanamente inalcansáveis. O presente está aí para ser vivido com todas as suas minúcias, e nessa busca incansável de melhoras e no automatismo do dia-a-dia você deixa de perceber as belezas que tem as horas. Acomodar? Jamais! Querer sempre o melhor, é uma constante. Mas, sem angústia, sem apego. Fazer sempre o bem, que no bem viverá. Assim como um click, vi o quão grande foi o tempo que perdi cultivando a ansiedade.

Falo por experiência prórpia, a falta de emprego que por tempos chorei e me lamentei, tinha que ser vivenciada naquele momento, algo eu tinha que aprender e ensinar. Mas, eu poderia ter encarado tudo com mais serenidade nessa fase, um dia as coisas voltariam inevitavelmente a ser como antes, como está agora. Afinal, ninguém fica desempregado para sempre. Na vida emocional a ansiedade também me atrapalhava bastante. A alguns meses "perdi" alguém que amava. Sofri demais, como nunca nessa vida. Talvez nem eu imaginasse que o amava tanto. Hoje, mesmo ainda sendo pouco tempo depois, páro e penso - Para quê tanto sofrimento se eu não estava feliz? Durante meses antes do fim desse relacionamento, eu tinha certeza que algo tinha mudado entre nós, e que eu não estava feliz. Apegada ao amor de posse. Apegada ao hábito de tê-lo ao lado. Apegada a esperança de tudo voltar a ser como no início. Apego, esse é o nome do que vivi. Era amor sim, e na minha memória e alma sempre viverá. Mas, era um amor perdido, um amor sem fundamentos, um amor sem recíproca. Hoje, passei a entender o amor de uma forma real, sem fantasias. Não de uma mulher para um homem. De dentro para fora. Algo como: "Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar" . Me pergunto - Para quê ter chorado e se culpado tanto com o fim desse relacionamento? Ele tinha que acontecer, como os outros. A história se desfez. Eu não posso viver um passado já morto e um futuro que ainda não existe. Na minha história, provavelmente eu ainha tenho que ter novas experiências, conhecer novas pessoas. Ou, mais dia menos dia, alguém importante vai entrar na minha vida, ou alguém do passado voltará. Não sei, a gente nunca sabe...a única coisa que sei é que ninguém fica sozinho por muito tempo. E, eu não vou ficar. As fases foram feitas para serem vividas, e encerradas. Então, para quê ansiedade? É esperar que algo sempre acontece nas nossas vidas.

É, eu perdi bastante tempo dando asas a ansiedade, a angústia que chegava a doer no peito. Mas, nada de me lamentar. Sorte minha eu ter percebido a tempo que estava indo pelo caminho errado. Feliz por ter vindo nessa existência com saúde, oportunidades, inteligência, um bom coração e inúmeras outras coisas. Sou realmente uma privilegiada. Entrego a minha vida nas mãos dela, e simplesmente vivo!
Ando tendo uma forte sensação de mudança. O que será que está por vir? Sem ansiedade, aguardo o desenrolar dos novos fatos.

O que é meditação?


A meditação consiste na prática de focar a atenção, freqüentemente formalizada em uma rotina específica. É comumente associada a religiões orientais. Há dados históricos comprovando que ela é tão antiga quanto a humanidade. Não sendo exatamente originária de um povo ou região, desenvolveu-se em várias culturas diferentes e recebeu vários nomes, floresceu no Egito (o mais antigo relato), Índia, entre o povo Maia, etc. Apesar da associação entre as questões tradicionalmente relacionadas à espiritualidade e essa prática, a meditação pode também ser praticada como um instrumento para o desenvolvimento pessoal em um contexto não religioso.


Fonte: Wikipédia

Criar


Será que a capacitadade de criar é um dom nato? Não!

Uma pessoa cria quando concebe em sua mente algo que nunca viu, ouviu ou sentiu antes. Essa definição que citei agora, ignora o fato de a criação ser útil ou não para algum propósito ou para resolver algum problema. É um dom desenvolvido com a prática, com o tempo. Claro que alguns são mais pré-dispostos a ser mais criativos. Mesmo assim, tudo nessa vida pode ser desenvolvido, até a capacidade criativa.

Na minha leiga análise, vejo que a criatividade pura é um ato mental, que consiste em última análise da capacidade de combinar sons e imagens de forma subjetivamente nova, independentemente de qualquer conexão lógica com o mundo exterior, com as nossas experiências. Ela desloca os aspectos novidade e originalidade, beleza, utilidade, veracidade, viabilidade e implementação para um segundo momento. Criar é um ato pessoal e subjetivo, e não têm necessariamente que servir para alguma coisa, como solucionar um problema, dar retorno financeiro, serem maravilhosas e belas, nada disso.

Eu sempre adorei criar, desde criancinha. O debruçar sobre os papéis e passar horas desenhando, era minha rotina. Sempre gostei do original, mesmo não sendo algo completamente novo para outros, sendo para mim, já fazia a diferença. As letras, nem se fala. Brincar de ser jornalista, fazer jornalzinho e imitar a repórter da TV, era uma diversão. Adoro escrever até hoje, acho que deu para perceber (risos). Me interesso bastante por moda, a forma com que as pessoas se comunicam através da roupa, e isso também reflete no meu visual.

Conclui cá pensando com meus botões, que uma vez que todos nós humanos, temos a capacidade de processar imagens e sons de formas variadas na mente, todos nós temos a capacidade da criatividade pura. Todos nós somos criativos por definição, por construção. Um exemplo de criatividade muito desenvolvida na nossa cultura é a lingua, todos praticamos desde criancinhas a combinação de palavras, usando regras, para atingir objetivos do tipo comunicar idéias e influenciar pessoas para conseguir o que queremos. E isso as criancinhas fazem bem.Não me dispus a pesquisar sobre isso, mas a palavra criança parece derivado de criar, deve sim fazer parte do contexto, pois essa característica é uma coisa infantil. Precisamos ser sempre infantis para ver a vida de forma mais criativa.
Sendo potencialmente criativos, talvez as únicas coisas que nos impeçam de criar mais sejam não acreditar nessa possibilidade ou simplesmente não ter um motivo para fazer isso. Ou desejo. Eu aconselho a todos a CRIAR, algo gostoso e único.

Não sou publicitária, mas como comunicadora também me interesso bastante por essa área, onde a criatividade é a alma de todo trabalho. "A publicidade é uma das formas mais interessantes e difíceis da literatura moderna" de Aldous Huxley, essa frase sobre publicidade que tem tudo a ver com o contexto do que acabei de escrever sobre criativade. No mundo cosmopolita, criar é quase como respirar.

Livre para pensar


Ontem foi um dia positivo. Ou melhor, "auspicioso". Fui a noite para uma palestra com o Lama Padma Samten, no Memorial de Medicina com a temática de educação nas perspectivas budistas. Um tom pacífico sobre educar e se educar.

Ando lendo e aprendendo sobre os preceitos budistas e me identicando bastante. Apesar de ainda me considerar muito leiga no assunto, pois as práticas milenares trazem muitas minúcias e uma elevação espiritual ainda distante de mim, da minha atual realidade, ando tendo a sensação de encontro. Algo que me atrai bastante é a prática da meditação, um momento com você mesmo, a calma que precisa existir em nós para enfrentarmos o turbilhão que é a vida moderna, um silenciar da mente onde existia antes um "tagarelar mental".

Venho tentando meditar todos os dias, pelo menos 5min, até porque ainda não é fácil silenciar a mente por muito tempo. Os pensamentos vêm em disparada, se misturam...Até eu adaptar minha mente a ser mais comedita. A ser menos "faladeira". Mesmo sendo algo recente, sinto um discreta diferença. O tempo entre o pensar e agir, de forma impulsiva, está sendo levemente mais longo.

Algo que também venho me identificando são as palavras sobre o desapego. Não só o desapego material, que é difícil de se livrar por completo nesse mundo cosmopolita, mas também o dos sentimentos e a nossa existência quanto seres humanos. Não que nós não possamos amar, mas sim amar de uma forma livre, sem sentimentos de angústia e posse. Ver a vida de uma forma mais leve, onde tudo é mutável e temos que ter tranquilidade para entender que as coisas vão e vem, na sua complexa e maravilhosa pluralidade.

Sem querer, eu insisto...


É consciente a insistência no erro. Sempre foi e ainda é. Mas, o coração não sabe o que são erros ou acertos, ele simplesmente segue os instintos. Ele insiste em persistir sem o entendimento. O meu coração não sabe sentir mágoas e nem sequer raiva. Ele perdoa e espera. E, a mente o segue. Os pensamentos não conseguem voar como antes. Eu penso sem sonhos, vivo os momentos com dureza, logo eu que sempre fui leve, e agora me pego sem permitir deixar que coisas novas entrem e furem o bloqueio. O pensamento simplesmente insiste em ficar estagnado, inerte, sem pluralidade, sem grandes e reveladoras experiências. Não, não é isso, as lembranças dos fatos passados não são nada, não existem mais, nem nunca existiram. O que existem são as múltiplas recordações desse fato. Redundante é a insistência. Redundande sou eu, que Insisto em acreditar que tudo voltará a ser como antes. Presa a insistência. E, solta para mudar tudo isso. Eu quero mudar. Ando tapando os ouvidos para não ouvir tanto blá, blá, blá...uma insistência sem fim.

Prazer, meu nome é arroz.


Assim como o arroz, o profissional de Relações Públicas é esteriotipado como acompanhamento. Acompanha os eventos profissionais e está sempre ali, discreto, mas presente. Acompanha o assessorado, as vezes sem graça mas ao lado.
O arroz tem que ser soltinho, assim como nós, os RP's. Sempre fazendo novos parceiros e dando um ar sofisticado por onde passamos.
Se tiver faltando qualquer coisa, bota o arroz. Ele serve. Ele satisfaz. O arroz passeia por vários pratos, do nordestino ao japonês. O Relações Públicas passeia por vários públicos, do mais humilde ao cheio de frescuré.
Tem quem ache que o arroz quer roubar a cena, virando rizoto de todos os tipos e sabores. E em alguns momentos ele mata de inveja os outros acompanhamentos que acham que ele quer aparecer mais que o prato principal. Assim, como os Relações Públicas, sem querer aparecem mais, são mais visados, e matam de despeito alguns desavisados que não entendem suas atribuições. Mas, é só por ser assim, limpo, solto, fácil, nada é de propósito.
Alguns profissionais de Relações Públicas se incomodam ao serem chamados de "arroz de festa". Eu não me incomodo, sei que a profissão tem muito mais atividades, mas essa é sim a que mais chama atenção. Então, que chamem...façamos o nosso trabalho e ponto final.
E dizem que o arroz é sem graça. Mas, quem acompanha os melhores pratos?
Prazer, meu nome é arroz.

Me tornando balzaca


"É hoje o dia da alegria, e a tristeza nem pode pensar em chegar..."

Só falta 1 dia...


"Fazer 30 anos é significativo na vida de uma mulher. Ela ousa, ela seduz, ela é segura de si e pode tudo se quiser. Ou quase tudo. Ela é simplesmente ela, quer você goste ou não". (Balzac)

A partir de amanhã, serei uma mulher de 30. Durante esse ano estive preparando meu espírito para virar "trintona". E as palavras de Honoré de Balzac, escritor francês que impregnou o imaginário ocidental com a expressão "mulher balzaquiana" caem muito bem para esse momento. Sinceramente, me sinto ainda melhor que quando fiz 20 anos. Sem a vulnerabilidade dos impulsos e o desprendimento com o futuro. Hoje, me sinto mais madura e segura das minhas potencialidades. Mas sutilmente, tenho impregnada a certeza que ainda tenho muito que aprender.
Um brinde as novas experiências!

Frida Kahlo




''Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?''

Quero perder quantas vezes for preciso


Nos últimos meses, venho pensando sempre numa frase que eu não sei quem é o autor ou mesmo onde sequer eu ouvi. "As vezes é preciso se perder para se encontrar". Existem momentos que indubitavelmente temos a sensação de nos sentir perdidos, ou mesmo, de perda. Natural, todos nós sentimos em algum momento da vida. Alguns nunca mais se acham. Mas, na maioria das vezes essa sensação serve de trampolim na busca de soluções dentro de você mesmo. Um aprendizado sobre o que somos e o que queremos ser.

Que bom que ando me encontrando depois de perdas. Que bom que ainda me perderei tantas outras vezes...

Crise dos 30?

Existem exceções, raras e deliciosas exceções. Mas, nós meninas de 30 anos ainda não somos mulheres. Assim que me sinto. "A fisionomia da mulher só começa aos trinta anos", já dizia Balzac. Terrível a falsa modéstia de mulheres deslumbrantes que dizem - “eu não tenho mais o corpo que eu tinha aos vinte anos”. E , quem disse que precisa ter? É óbvio que não. Isso não passa de charme, uma estratégia sórdida para chamar a atenção para a beleza das formas de um corpo maduro, esculpido pela experiência e aquecido pela volúpia de quem sabe exatamente o que deseja. Sem modéstia, afirmo que muitos homens perdem a fala, ficam completamente desorientados e transpirando desejo por uma interessante mulher de 30.
A mulher de trinta anos sabe quem é e sabe bem o poder que tem. Não precisando mais de muitos dos joguinhos que algumas "imaturas" fazem para testar. Ela se dedica a outros jogos, muito mais interessantes e excitantes. Relacionar-se com uma mulher de trinta anos é ensinar e aprender. É ter uma amante perfeita e, ao mesmo tempo, uma companheira de humor sem frescuras, uma amiga capaz de entender e se deliciar com todas aquelas referências pop dos anos 80 que você levou décadas para colecionar: ela vai rir gostosamente de piadas inteligentes. É possível discutir filosofia depois do melhor sexo do mundo ou, o absurdo, conseguir o melhor sexo do mundo após discutir filosofia! (risos)
Mas, você homem que já está com água na boca ao ler esse texto, não pense que é fácil conquistar uma mulher de trinta anos. Hoje elas são muito mais interessantes e complexas do que eram na época de Balzac, porque são acima de tudo independentes. A mulher de trinta anos é segura de si até quando procura um colo.
A mulher de trinta anos está mais apta a entregar-se ao amor sem medo. E se for paixão? Ela não perde tempo buscando definições semânticas, ela simplesmente vive!
Adeus meus últimos dias dos 29 anos.

Um momento

Um moço de cor trigueira. Uma boa supresa. Som de brisa. Em mim, um dilema.
Simples e acessível. Combustão e oxigênio. Um completo desconhecido, esse moreno poema.
Dele, palavras comedidas e atitudes. Minhas, palavras sem receio. Escuto sem ouvir. Tagarelice mental. É só.
Escuta apenas sua respiração. Não sei, tenho receio, quase pavor, sinto medo, falta sono. Natural, é preciso ter zelo...
Vulnerabilidade? Eu não sei. A única coisa que sei é que nada é certo e nem errado. Um só.
Apenas alguns momentos. Vontade de sumir e dizer não. É como ouvir a letra de um samba antigo e popular "na aba do meu chapéu você não pode ficar, meu chapéu tem aba curta, você vai cair e vai se machucar...".
Mas, eu já caí muitas vezes. E levantar, já é simples para mim. Choro, depois olho ao alto e começo a cantar. lá ra lá ra...
E, por mais que a razão peça. Não há nada que me segure ou impeça.
Se não for para mim. Simples. Fim.
Não volto mais aqui. Vontade de fugir. Sem respostas ou entendimentos.
Inteira. Intensa. Eu nasci para ser assim.
Chega de perguntas, não quero respostas. Cabeça não escuta, decidi não resistir.
Se faz bem. Vem.
A gente se vê dia desses por aí, moço. Não se apague em mim.

Buscando em mim, eu mesma

Voltar-se para o centro no sentido e desligar-me. Voltar a atenção para dentro de mim. Essa é a minha busca. É nesse foco que ando me concentrando. Apaziguar o coração e esperar pacientemente.
Coisas inesperadas acontecem. Planejar é preciso, mas os planos só se concretizam se a vida quiser. E não adianta questionar. O sim e o não, necessariamente não é escolhido por nós. Nós somos seres em constante transformação. O que penso hoje, pode se refazer em novas certezas. O que hoje acho que é bom na minha vida. Amanhã pode se tornar um conceito vazio. Imaturos.
Coisas novas chegam e mostram um novo olhar. Pessoas novas chegam e nos encantam. Pessoas lindas por dentro e por fora, amorosas, apagam as nuvens negras do passado. Como um passe de mágica, essas nuvens negras, se desfazem. Nimbos na memória. As pessoas que chegam, podem ir. Ou, podem simplesmente voltar sem explicações. Ou novas pessoas aparecem e nos fazem bem. Com o pouco que dizem, apenas pela sua presença apaziguadora e intensa, inesperada.
Feliz com as surpresas. Feliz pelo sábado de meditação, comida japonesa, cinema com muitas risadas, bons papos, e findando com boa música, cerveja gelada e novos amigos. Feliz com as pessoas interessantes que existem no mundo. Feliz pelo meu dia de domingo tranquilo. Do bom papo. De boa e nova companhia, que pode ir embora assim como chegou, de surpresa. Mas, o quanto esteve, foi intenso. Vivido. De novas sensações. Completamente inesperado.
Cada vez me mais convenço que as vezes temos que nos perder, para nos encontrar.

O equilíbrio

Pensando bem, de repente percebi que ando fazendo escolhas erradas. Erradas no sentido que, ando procurando os caminhos nos lugares menos prováveis. Se estou procurando o eixo, ele precisa vir de dentro para fora. Pode até parecer engraçado agora, mas um dia fui uma pessoa tranquila e serena. Eu sei, eu sei...não combina com a pessoa que está aqui escrevendo hoje. Uma pilha de stress e emoções à flor da pele. O desequilíbrio chamado Karla. Confesso, tem horas que a agitação é tanta que dá vontade de sair correndo e dar uma volta no quarteirão, depois sentar e continuar a trabalhar. (risos) Tipo assim, precisa-se de serotonina na veia! Sorte que tenho uma grande vantagem, dificilmente perco o bom humor. O stress me dá crise de risos. E mesmo nas crises de choro, não sou capaz de dar patadas em ninguém.
Tudo bem, de perto ninguém de perto é normal, mas não a nada de anormal em ter seu próprio ritmo. E não é nada de anormal tentar desacelerar esse ritmo.
Estou aprendendo a meditar. A respirar melhor. A usar tratamentos naturais (Florais). Alimentos saudáveis e orgânicos. Desacelerar. Pensar antes de agir. Mentalizar (física quântica). A rezar e agradecer todos os dias. A apreciar cada minuto ao lado dos meus amigos. A esperar que as coisas mudem ou voltem a ser como antes, pacientemente. A esquecer pessoas e coisas que não me acrecescentam mais. A lembrar de pessoas que nunca vão sair do coração. A me disciplinar nos esportes, para liberar o stress. A buscar fazer trilhas e passeios por lugares novos e contemplativos.
Se vai funcionar? Não sei. Não é uma receita de bolo. Só sei que esse auto-conhecimento está me ajudando a focar mais nos meus verdadeiros objetivos. Os objetivos mais implícitos.

Sexta a noite, em casa?


Não se assustem, amigos. Sou eu mesma. A Karla amante da noite e de uma cerveja gelada de sempre. O problema é que até os amantes se desentendem, e eu me desentendi com a noite. Na verdade, com as tais "baladas". Aliás, odeio esse nome "balada"...ô coisa mais "tabacuda", como nós pernambucamos da gema falamos. Traduzindo para os demais, ô coisa mais idiota!

Sinceramente, não sei se é a proximidade dos 30, ou a noite recifense que é repetetiva, sei lá...só sei que prefiro mil vezes sentar num bar com meus amigos, papear horas, cantar, e voltar para casa com uma discreta "cabeça rodando" e ir dormir, se rindo. Se isso já aconteceu hoje, a noite acaba aqui.

Boa noite para vocês, e até amanhã bem cedo.

Vai sono, chega...



São quase 1h da manhã e o sono não vem. Qualquer motivo banal e até os que não são tanto assim, como é o caso de hoje, me faz perder completamente o sono. O que adianta perder o sono por algo que eu não posso fazer sozinha? Eu sei exatamente, mas meu sono não entende. Algo que depende da burocracia, do sistema, eu não vou resolver ficando com os olhos arregalados e a energia saindo pelos poros.

Tenho tantas coisas para fazer amanhã, aliás hoje, afinal estou como um zumbi na madrugada... Logo pela manhã tem Banco lotado, trabalho, pagamentos, pendências para resolver na faculdade...e o sono não ajuda!

Acho que o sono de acostumou com as noites em claro do fim de semana. Ele só se acostuma com o que não presta. Esse teimoso!

Vai sono, chega...

"A paz não faz e desfaz..."


Nessa dia chuvoso a única coisa que vem na cabeça, são minhas amigas. Amigas de infância. Amigas da faculdade. Amigas loucas de pedra. Amigas de sempre.

Penso nelas porque é impressionante como elas fazem parte da minha vida, cada uma com suas particularidades, e ao mesmo tempo com os mesmos problemas que eu. Os problemas são sempre sobre um amor não correspondido, falta de amor, perguntas sobre vários temas e claro, a vida profissional que não anda lá essas coisas.

São 9h30min e meu telefone já tocou 3 vezes. Mensagem de "preciso desabafar", uma outra "bom dia, essa semana a gente se encontra, né?" e uma ligação perguntando "qual a mochila que devo comprar para meu filho?". Já ouvi assim que pisei no trabalho, perguntas sobre maquiagem de uma amiga que precisava comprar um kit completo numa dessas revistinhas da Avon.

O que me impressiona é o quanto elas precisam de mim e eu delas. Uma relação de dependência e ao mesmo tempo, de completa liberdade.

Só quero dizer a todas elas, que eu as amo e sou muito grata pela participação de cada uma na minha vida.

E, se precisar estou sempre aqui.

Lord's day


Tem dias como hoje, um domingo de sol quase sem nuvens no céu, que eu penso em coisas que um dia senti que queria voltar a sentir novamente. Quem sabe um dia. Não da mesma forma, nos mesmos lugares ou talvez com os mesmos personagens. Já diz a música de Belchior " O passado é uma roupa que não nos serve mais...". Não quero nada do passado e muito menos que ele volte. Quero as sensações vividas. O cheiro. O vento no rosto. As mãos nos cabelos. A música ao fundo...

Pare! Uma pausa na nostalgia, para continuar apreciando esse belo dia de domingo e viver intensamente cada minuto dele.

Vaidade, futilidade ou cuidado?


A vaidade nada mais é, que o desejo implícito de se sentir bem e impressionar as pessoas. É um dos pecados capitais, "cobiça que devora, cólera que inflama". Ela foi e é alvo de julgamentos desde o início dos tempos. Como tudo nessa vida, em excesso é extremamente prejudicial. E sua falta, uma extrema falta de cuidado consigo mesmo.

A maquiagem que disfarça imperfeições e ilumina as mulheres nos dias de hoje, foi identificada a primeira vez a milhares de anos atrás. Cleopatra já usava seus olhos marcados. Assim, como os indianos de hoje e os dos últimos 2.000 anos. Os índios brasileiros também pintavam os rostos e os que restam ainda pintam, assim como diversos outros povos da humanidade. E os cabelos? Todos já vimos representações dos cabelos do período do descobrimento onde até os homens usavam perucas.

Segundo Tolsoi, "A vida sem vaidade é quase insuportável." Sem cor, sem brilho. Fútil é viver para vaidade, não viver com ela. Já o exagero, é sem cor, sem brilho.

Nosso corpo é nosso templo, está na bíblia. Cuidar dele e manter uma imagem agradável aos nossos olhos e aos dos outros, não é pecado. Pecado sim, é uma vaidade destrutiva, onde a pessoa não se aceita e quer mudar sua imagem a todo custo. Um exemplo claro, é o astro Michael Jackson, onde sua vaidade o levou a loucura.

Ser bonita é viver bem consigo mesmo. Se cuidar!

"Fazer o bem, sem olhar a quem."


O trabalho social tem ideais de igualdade e carácter humanitário, buscando participar de forma efusiva e dando dignidade a uma determinada comunidade, instituição, ou mesmo de forma individualizada. Você pode questionar que é bem bonito na teoria, mas que isso deveria ser um papel dos órgãos governamentais e que nós, simples membros da sociedade não temos o dever de tomar tais atitudes e nem somos culpados por essa situação. Mas, e como ficam as pessoas que vivem em situação de risco? Sem um suporte do poder público, sem emprego, sem perspectivas, sem comida, sem saneamento básico, sem saída. Elas não tem culpa do país ter crescido desordenadamente e não ter estrutura para dar suporte a tanta gente. Elas não tem culpa de muitos de nossos políticos não se comprometerem com a causa social. Elas não tem culpa dos da crise mundial. Elas não tem culpa de alguns donos do poder embolsarem o dinheiro do leite e não serem condenados por isso. Elas não tem culpa de na sua comunidade não ter saneamento, ou mesmo, de nas suas casas não ter sequer um banheiro e muito menos, água. Elas não tem culpa por não ter o direito a uma escola de qualidade e não poder sequer concorrer em um vestibular. Elas não tem culpa de ter as drogas na porta de suas casas corrompendo seus filhos, aqueles mesmos que são barrados no vestibular. Elas não tem culpa por passar horas na fila esperando um médico para atendê-las em um hospital público. Elas não tem culpa de morrer por falta de atendimento médico.

E, de quem é a culpa? A culpa é de quem procura um culpado e não toma a iniciativa de fazer alguma coisa pelo outro. Se você tem seu conforto, uma cama quentinha, travesseiros e um teto seguro sobre sua cabeça, lembre-se que tem lugares que até 5 crianças dormem amontoadas num colchão de solteiro no chão duro e gelado. Se você tem várias opções no almoço, tem pessoas que comem quando tem, independente do horário. Se você passa mal por ter exegerado na comida, tem pessoas que sentem dor de tanta fome.

Não falo tudo isso para fragilizar ou dramatizar, mas quem teve a oportunidade de entrar em comunidades extremamente pobres sabem do que estou falando. Jovens e crianças drogadas e sem perspecitivas, grávidas adolescentes com suas saias curtas sem saber o que fazer com seu filho depois de nascer, pessoas sentadas nas calçadas sem trabalho e sem dinheiro, crianças sujas descalças no chão batido com barrigas enormes de verminose. E, tantas, tantas coisas absurdas de ainda acontecem em pleno século XXI.

Espero meus amigos, que ao ler esse texto. Você deixe a sua confortável inércia e ajude alguém. Não tenham medo, eles são pessoas exatamente iguais a nós, tem necessidades físicas e emocionais.

Recado para os amigos


Saibam que estou bem, como sempre estive. E, além de tudo feliz por ter a certeza que ainda vou ser muito mais. Afinal, quem nessa vida nunca passou por altos e baixos? Agora é vez dos altos. A minha vez. Eu só quero agora ficar nas alturas. Altura da linha do tempo. Alto relevo. Alto-mar. Altura das nuvens do céu. Alto-falantes. Autocontrole. Auto-suficiência. Auto-estima.

Mas, a única coisa que vou fazer de baixo, é falar baixinho a seguinte frase: Nada tira o meu sorriso do rosto. Nada!

Eu me permito e daí?


Nascemos e crescemos pressionados por anseios que não são nossos. Por coisas que não somos obrigados a vivenciar. A padrões que não somos obrigados a cumprir. Sentimentos que não somos obrigados a sentir. Aprendemos sim, a sufocar nossos desejos mais verdadeiros. A tomar atitudes baseados apenas nas normas pré-estabelecidas pela sociedade. Não estou pregando nesse texto que devemos transgredir e virar "rebeldes sem causa". Mas, que devemos nos permitir viver aventuras e descobertas, sem se influenciar pelo medo. O medo faz parte de nós. E, ele existe para ser superado.

Quem me conhece sabe. Eu me jogo. Foi até o primeiro texto escrito nesse blog. Me jogo no trabalho. Me jogo nas minhas atividades cotidianas. Me jogo em novas experiências. Me jogo nos meus relacionamentos. Me jogo claro, sabendo qual a profundidade e se vou chegar lá no fundo em segurança. Segurança física e emocional. De tudo na vida, vale a experiência. Eu me permito, e daí?

Eu


Não paro de girar em torno de mim mesma. O mundo gira.
Eu me reinvento. Eu sou uma invenção reinventada por mim.
Coisas vão e vem. E, eu ali. Simples. Díficil. Feliz. Eu.

Sonoridade a flor da pele


Depois de uma breve pause, volto ao play. As letras e a música.
Voltei com uma novidade. Minha nova e pequenina tatuagem. Um violão no pulso, que lógico, é uma homenagem a manifestação musical que mais gosto, a Bossa Nova. Nem precisa grandes explicações, quem me conhece sabe bem disso.
Meu violãzinho foi desenhado pelo tatuador, mas com uns toques e traços meus. Desenhar é algo que me acompanha desde a infância e sem modéstia, faço bem. Então, tinha que participar de algo que vai ficar marcado na minha pele até meus últimos dias.
Essa não é minha primeira tatuagem, é a terceira. As outras são dois ideogramas que fiz a mais de 8 anos atrás, uma no pé esquerdo e outra no tornozelo direito. Na época poucas pessoas tatuavam ideogramas, hoje muita gente tem, mas não me importo porque elas já fazem parte do meu corpo. Então, elas são únicas e originais, para mim. Assim como, meu violãzinho. Até brincaram comigo que minha música agora "diz que eu fui por aí, levando um violão debaixo do braço...".( risos)
O tatuador está preparando o desenho de mais uma, que perpetuará o amor que sinto pela minha mãe, irmã e sobrinha. Eu, minha mãe e irmã, faremos juntas essa tatuagem, que é a primeira delas. Querem saber qual é o desenho? Surpresa!

Só Clarice me entende...

"Rifa-se um coração

"Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insisteem pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está umpouco usado, meio calejado, muito machucadoe que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desistede acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coraçãoque acha que Tim Maiaestava certo quando escreveu..."...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,é isso que eu espero...".Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva aesperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurandorelações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometersempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nomede causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posiçõesarrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimase faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,ou mesmo utilizadopor quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas paraquem quer viver intensamentecontra indicado para os que apenas pretendempassar pela vida matando o tempo,defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocenteque se mostra sem armadurase deixa louco o seu usuário.Um coração que quando parar de baterouvirá o seu usuário dizerpara São Pedro na hora da prestação de contas:"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,só errei quando coloquei sentimento.Só fiz bobagens e me dei malquando ouvi este louco coração de criançaque insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se poroutro que tenha um pouco mais de juízo.Um órgão mais fiel ao seu usuário.Um amigo do peito que não maltratetanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que aindanão foi adotado, provavelmente, por se recusara cultivar ares selvagens ou racionais,por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.Um impulsivo membro de comportamentoaté meio ultrapassado.Um modelo cheio de defeitos que,mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.Um velho coração que convenceseu usuário a publicar seus segredose a ter a petulância de se aventurar como poeta."

Clarice Lispector

Essa não é mais uma carta de amor


Quero acordar do seu lado num domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. Estamos sozinhos na sua casa. E, depois, ir tomar café da manhã e ler o jornal com você. Quero ouvir você contar sobre o livro épico que acabou de ler, e falar dos personagens como se fossem velhos amigos. Quero você me olhando entre um gole e outro de café, com cara de sono e cabelo assanhado, sem nada para falar e apenas sorrir, antes de voltar a folhear o caderno de política.

Quero sua mão na minha perna no caminho da sua casa, dentro do carro, no caminho do seu apartamento. Quero deitar na poltrona ao seu lado, encostar a cabeça no seu ombro tomando um vinho tinto seco cabernet sauvignon, assistindo o DVD de Barão Vermelho e cantarolar "porque a gente é assim...". Depois, irmos para o seu quarto e ver você dobrar daquele seu jeito metódico as roupas esquecidas em cima da cama. E que, sem mais nem menos, você desista da arrumação, me jogue na cama desarrumada, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra pessoa. E, que me pergunte se eu quero ver um filme mais tarde.

Quero ouvir você falar da sua vida e sonhar com minha imagem no seu futuro, mesmo sabendo que eu provavelmente não estarei lá. Quero que ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale da casa que teremos na praia. Quero que você descreva em detalhes da vista que teremos do mar e do jardim da nossa casa. Dos filhos que teremos correndo nesse mesmo jardim. E, que faça tudo isso enquanto passa as mãos nos meus cabelos.

Quero que você dedilhe o violão que te dei e ao cantar lembre dos anos que ele esteve comigo. Que quis aprender a tocá-lo e não toquei. Lembre dos anos que estivemos juntos e que não te toco mais.

Quero que você nunca perca de vista a música da sua existência e que me prometa ter entendido que a felicidade não é um destino, é uma viagem. Escolhemos o roteiro, trilhas e o preço que pagamos. E que, por isso, teremos sido felizes pelos vários domingos na poltrona e pelos sonhos compartilhados enquanto assistiamos filmes com nossas pernas entrelaçadas.

Quero que você acredite que não me deve nada, simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívidas ou "dúvidas". Nem mágoas. Nem arrependimentos. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo que vivemos. Que você saiba que os desentendimentos que tivemos viraram pó. Que as palavras mal ditas se desfizeram no ar. Elas sempre foram banais. Já os sorrisos, brincadeiras, cumplicidades, são mais relevantes na minha memória, mais do que as palavras que um dia me ofenderam. Que você me guarde na memória, mais que nas fotos. Que o nosso diálogo termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a sensação de que poderia ter se fartado um pouco mais. Sem duplo sentido.

Quero que você saiba que as lágrimas do fim não foram por sua perda. Eu não te perdi, você se perdeu e não soube o caminho de volta. Senti saudade, e muita.

E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor que já viveu. E, que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida. Ou que, a que mais foi amado.

Eu não queria me curar de você. Mas, eu me curei, a vida é assim. Ouvi coisas que não queria e nem deveria. Me decepcionei. Mas, cicatriza e voltamos a fazer nossas escolhas, sem medo de cair novamente. Esperando quem sabe nossas vidas se encontrarem novamente e as arestas serem aparadas.Enfim entendi, vou seguir o meu caminho.

Que eu aprenda a me amar mais. E você, a amar mais.

Que nunca mais você deixe de pensar em mim quando for a Porto de Galinhas, e escutar Bossa Nova em algum lugar que passar. E, por fim, que você continue a cochilar na poltrona da sua sala. Sempre. Mesmo quando eu não estiver mais olhando o seu sono tranquilo.

Decepção, só por um momento


Depois de uma grande decepção a verdade parece deixar de existir. As lembranças trazem à mente os momentos mais felizes, que agora são vistos com olhos traídos. Olhos tristes de desapontamento.

Uma parte de mim diz - Fui ferida e a partir de agora, fecho o meu coração. Outra diz - Esquece e perdoa. Os amigos dizem que "a decepção não mata, ajuda a viver". Mas, o conjunto dos meus pensamentos afirma - As decepções são necessárias para o aprendizado. E, no fim eu decido, vou seguir com a minha essência e aprendendo novas coisas, sem medo de cair novamente. E, não confiarei demais nos sentimentos e atitudes dos outros, somos todos falhos. Não guardo mágoas, esqueço e sossego meu coração nessa segunda-feira, na certeza que o mundo dá voltas.

Nada faço...



"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer."
(Clarice Lispector)

Decepção


Porque nos decepcionamos com uma pessoa, com um acontecimento, com uma situação, com a vida?
A decepção é um sentimento tão frustante, talvez seja das sensações que mais me entristece, me deita abaixo, me impede de continuar, me bloqeia.
Será que crio expectativas altas demais? Ou será que as expectativas eram normais, próprias e adequadas, mas a decepção teimosamente me bateu à porta?
Será um problema de ansiedade, de queria tanto se realizasse, que tanto aconteça?
Será que sou exigente demais, peço muito dos outros, coisas que nem eu mesmo sei fazer?
Será que uns são mais atreitos a decepções que outros?
Será que uns, nem percebem a decepção não lhe dando a importância que outros lhe dão?
Será que as decepções só acontecem aos emotivos? Aos frágeis? Aos corajosos? Aos exagerados? Aos idiotas?
E acordar depois de uma decepção?
Acordar para a vida, acordar para o dia, pôr os pés fora da cama, levantar o corpo, calçar qualquer coisa para começar a pisar o chão, a terra, olharmo-nos no espelho, olhar uns olhos decepcionados,….
E depois, muitas vezes voltar ao mesmo sítio, ao mesmo local, ver a mesma pessoa, ter de falar com essa pessoa, voltar e reencontar o mesmo ambiente, o mesmo cenário…..
Reagir…. Como se faz para Re Agir? Reagir é voltar a agir! Para voltar a agir, é preciso ter vontade de agir. E o mundo que nos rodeia, exigente, que não tolera a insatisfação, não tolera tristezas, que como uma criança mimada, quer-nos lindos, contentes, sorrizinhos, arranjados, elegantes, perfeitos, e todos nos pedem, “Vá reage, faz qualquer coisa, tens de melhorar! Lá estás tu com o teu péssimismo!…”. E para culminar, lá dizem a frase: “Não percebo, porque ficas assim, não é caso para isso!”. E nós, envolvidos num manto negro de tristeza, de amargos na boca, de nós no estomâgo, de dedos das mãos frios, de joelhos ligeiramente a quebrar, ficamos perplexos a olhar para aquela gente que nos diz “Que não é nada!”. Não é nada???! Mas não percebem, que para nós É TUDO! Que houve uma derrocada de terras, por cima da nossa boca, que houve uma inundação de líquidos salgados, que nos deixou molhados de suores frios, que o nosso coração saltou, mexeu-se, como se de um sismo se tratasse e nos deixou com taquicárdia, que houve um corte a meio dos nossos pulmões, e os pôs a trabalhar em limites mínimos, que sentimos o sangue a parar nas veias e que fomos invadidos por um vento frio e quente, que levantou todas as areias no ar que nos sufocam e nos cegam? Pois, não vêem isto? Faltam as lágrimas? Ah, as lágrimas, as piegas lágrimas, que comovem os outros….. Mas olhem, os decepcionados não choram por fora, choram por dentro! Choram, choram, choram, até ficar secos, como um solo africano, seco, ressequido, morto….
Deixe-me enterrar uma decepção, como se de um corpo morto se tratasse, deixe-me enviuvar, chorar aquilo que nunca acontecerá, que nunca irei possuir, deixe-me cair no chão (não me levante, por favor!), de pernas e braços abertos deixe-me gritar, gritar muito, deixe-me enlouquecer, perder o juízo, falar sozinho, deixe-me sair para a rua de robe e chinelos como um velho senil, deixe-me só, desgrenhada e sem comer, deixe-me fugir (não vão à minha procura, por favor!) e mesmo que eu quiser, não nos deixe adoecer. Porque quando essa nuvem negra passar, ressurgirei feliz e forte. Rindo de tudo que aconteceu comigo.

"Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós..."


A Religião (do latim: "religio" usado na Vulgata, que significa "prestar culto a uma divindade", “ligar novamente", ou simplesmente "religar") pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que parte da humanidade considera como sobrenatural, divino, sagrado e transcendental, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças. (Site Wikipédia)

Resolvi postar hoje sobre esse assunto, porque convivemos no nosso dia-a-dia com pessoas de religiões diversas. Cada religião com suas particularidades, dogmas, músicas e formas de pensamento. Mas, um único Deus.

Apesar de ser católica, batizada e sempre ter estudado em colégios católicos, sempre tive curiosidade durante o meu caminho, de visitar outros ambientes religiosos, como também ler e pesquisar sobre esse tema. Tenho amigos espíritas, umbandistas, do Vale do amanhecer, evengélicos da Batista, Presbiteriana, Anglicana e Assembléia. Escuto todos falarem das suas "casas" e apesar da forma de pregar ser diversa, todos buscam o mesmo objetivo, Deus.

Acredito que a fé no ser maior, na energia que nos move, é a forma de manifestação mais bonita do ser humano. "A fé move montanhas", como também cura o coração e a alma.

Como não acreditar na existência de Deus? Ele está no grão de areia, no sorriso do bebê, no instinto dos animais, no cheiro das flores, no beijo de mãe, no amor entre um homem e uma mulher, nos momentos de sofrimento em que precisamos aprender algo, na companhia dos amigos. Está sim nas religiões, mas muito mais dentro de nós. O mal existe, e ele só chega porque nos mostramos vulneráveis a ele.

Independente de religiosidade, as pessoas se encontram nas igrejas para se confraternizar, cantar, louvar. Mas, fazer o bem é sim, o principal. Não adianta andar com a bíblia debaixo do braço e não praticar, ela vai ficar "fedendo de CC", e não vai fazer diferença. Se é para andar com a bíblia, é para ler e praticar. Se não for assim, deixe ela em casa.

Não tenho preconceito algum com nenhuma religião, cada um se encaixa na que tem mais a ver com seu jeito, seus costumes. Deus não quer que julgemos uns aos outros. Sejam de religiões afro ou evangélicos, eles são pessoas com características distintas e precisam ser respeitadas.

O que é Relações Públicas?


Comunicação Social: Direito de todos a informação. E, dentro das atividades comunicacionais, o profissional de Relações Públicas é considerado um gestor de comunicação. Temos a facilidade de transitar por todos os meios. Somos habilitados para lidar com adversidades dentro das instituições e gerar estratégias de minimizar seus efeitos.

O Relações Públicas não é um fazedor de "festinhas"! Ele organiza eventos, sim. Mas, com uma visão macro, pois um evento é também um instrumento de comunicação. No evento nos mostramos para os nossos públicos, e manter uma boa imagem é o principal objetivo da nossa profissão.

Sabemos fazer quase tudo que um jornalista faz, mas não atuamos nos órgãos de imprensa, e sim em isntituições públicas e privadas. Fazemos as notícias chegarem fresquinhas a imprensa e aos clientes internos.

O objetivo principal do RP, é o equilíbrio entre identidade e a imagem de uma organização, focando na imagem institucional e trabalhando a relação com a opinião pública.

A Associação Brasileira de Relações Públicas propôs em 1955 o seguinte conceito para a profissão: "Relações Públicas é a atividade e o esforço deliberado, planejado e contínuo para estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma instituição pública ou privada e os grupos de pessoas a que esteja, direta ou indiretamente, ligada" (Fonte: Site Wikipédia)

Esses esclarecimentos, partem do princípio que como a atividade é muito abrangente, surgem muitas dúvidas sobre suas atribuições. Muitos profissionais se desviam para outras atividades. E, como tem habilidades comunicacionais, partem para atividades comerciais, atendimento, entre outras. Na realidade, auxiliam no processo profissional em qualquer outra área. Afinal, é uma profissão "meio", ela abre espaço dentro das instituções, independente da área. Mas, ela tem sim especifidades da área comunicional que não pode ser confundida.


Insegurança nunca mais!

Segundo o dicionário, a definição de insegurança é: Inquietação, falta de segurança.
Porque nós mulheres somos tão inseguras? Sempre achamos que precisamos ser mais, fazer mais. Se estamos magras, ainda falta mais uns 3kg para ficar perfeito. Se fazemos o máximo no trabalho, ainda assim nos sentimos inúteis. Vamos ao cabeleireiro, fazemos progressiva, hidratação, cauterização, escova de chocolate, morango, baunilha, creme, uva...mas, sempre tem alguma coisa errada, o cabelo nunca fica liso o suficiente. Se somos as melhores amigas e confidentes, ainda assim achamos que somos ausentes. A ex do atual marido, é sempre uma ameça, mesmo que ela seja gorda e sem graça. Se pararmos para analisar, toda mulher - até a mais poderosa, arrogante, confiante e linda - já se sentiu ameaçada por outra. Se somos amadas, queremos ainda mais carinho e atenção. Se não somos, a culpa é nossa, não do outro. E quando levamos um pé na bunda. Aff, o problema é a bunda que não está durinha o suficiente (risos). Enfim, somos um poço de "insegurança".

Mas, será que essa insegurança toda tem cura? Claro que tem. Todas nós conhecemos alguma mulher, firme, poderosa e que também "confia no seu taco". Infelizmente são poucas assim, mas isso é um bom sinal, se elas conseguiram, nós também podemos chegar lá. Observando essas mulheres, a quem apelidei carinhosamente de "mulher-bomba" (elas "bombam" em qualquer lugar), percebi que suas características físicas independem, elas são confiantes mesmo se estão fora dos padrões estéticos, sentimentais e profissionais. E qual o segredo? Elas simplesmente se conhecem e se amam, exatamente como são. Se são gordinhas, são "fofinhas sexy". Se são donas de casa, são "a dona da casa e eu que mando". Se são separadas, são porque preferem estar sozinhas do que mal acompanhadas. Elas podem nem ser tão atraentes, mas sua confiança transbordam e por onde passam arrastam olhares de admiração. Elas "bombam" por sentirem bem e serem elas mesmas.

A "insegurança" é facilmente tratada. Ela não é uma patologia, e sim um estado. Vamos tratar de nos livrar dela, amigas. Agora e para sempre!





Cinema nacional

Nossa língua, nosso povo, nossas características. Esse é o cinema brasileiro, que nos últimos 10 anos vem em ascendente crescimento. Vocês devem lembrar que na década de 90, nem se ouvia falar em filme nacional. As lembranças que tínhamos eram das pornô chancadas, que eram simplesmente um misto de nudez e palavrões, e textos sem conteúdo. Desculpe quem curte esses filmes, mas na minha opinião, foram eles que criaram o estigma que o cinema brasileiro não tem qualidade. Ao contrário disso, nosso cinema tem sim MUITA qualidade. Qualidade visual, fotográfica e excelentes textos.

Ontem a tarde assisti o filme Divã, onde Mercedes (Lília Cabral) é uma mulher casada e com dois filhos que, aos 40 anos, tem a vida estabilizada. Um dia ela resolve por curiosidade procurar um analista. Aos poucos ela descobre facetas que desconhecia, tendo que contar com o marido Gustavo (José Mayer) e a amiga Mônica (Alexandra Richter) para ajudá-la. E, esse foi um dos filmes mais interessantes que assisti nos últimos tempos. Ri muito de chorar e também chorei com as cenas tristes, que foram bem sutis, pois o filme se trata de uma comédia. Uma comédia do cotidiano, cheia de coisas comuns a todos nós, principalmente para as mulheres, que sempre querem mais da vida e dos relacionamentos. E apesar dos atropelos, temos SIM que buscar novas experiências e ser feliz. Assim, faz Mercedes, interpretada brilhantemente por Lília Cabral, que eu já era fã e agora virei a nº1. Ela é simplesmente M-A-R-A-V-I-L-H-O-SA!

Não deixem de ver o filme, uma comédia sem "besteirol", mas com garantia de MUITAS gargalhadas.

O amor é para os fracos


Descobri a duras penas, que o amor é para os fracos. Eu assumo, fraquejei. Eu deixei o amor entrar na minha vida. Ele me ludibriou e se instalou nos meus dias da forma mais devastadora. Todo amor que existia em mim, foi dado. Doado. Cedido. O amor percebeu que eu estava vulnerável e se aproveitou. Veio com aquele jeitinho manso, com a mão leve, e me roubou devagarzinho. Eu fraquejei. Me deixei levar pela sua lábia. Quando me vi estava tomada. O amor, realmente é para os fracos. E eu fui fraca. Leve. Solta. Me deixei levar.
Mas, o amor me fez aprender que só um pedacinho dele vale a pena ter por perto. Apenas o que sentimos por nós mesmos. O resto, é para os fracos.
Você não me engana mais, amor. Eu fui fraca, mas não vou cometer o mesmo erro. Não se atreva a aproximar-se novamente de mim, se você chegar, uso e abuso e te jogo fora. Agora sei me defender. Você não foi justo comigo. Eu finalmente entendi, que nós dois não combinamos. Você amor, não é para mim. Nunca mais quero você na minha vida.

"Um país se faz com homens e livros." (Monteiro Lobato)

Meu dilema

Ser ou SER magra, uma questão de honra. (risos)
Sigo firme na minha dieta.





Leite derramado

Não adianta se lamentar. Já foi. O copo tombou.
Tudo de esvaiu. O derradeiro gole. Sem gole. Sem gosto. Acabou. Sem choro.
Corre! É tarde. Derramou.
E agora? O tempo. É ele.
O copo. O leite. O gosto.

O fim de um bom livro

Terminei de ler A Menina que Roubava Livros ontem a noite. E vou admitir para vocês. Há muito que uma história não me arrepiava tanto.
Sou facilmente conquistada por uma simples história diferente, porém profunda. Sou uma boa leitora. Ou uma boa apreciadora das palavras, talvez. Enfim, s
ou uma "sacudidora de palavras". Expressão que li no livro e que me identifiquei. Gosto das palavras e da forma como são usadas. Sacudo as palavras com o cuidado e respeito que elas merecem.


Um breve resumo do que eu li.


Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler.

Liesel Meminger é a menina que nossa narradora — a morte — encontrou três vezes. A garotinha conseguiu tapeá-la nas três.
Impressionada, a ceifadora de almas decide nos contar sua trajetória, pois, como ela mesma diz, em seu ramo de trabalho, o único dom que lhe salva é a distração. Ela mantém sua sanidade.
A Alemanha nazista.Uma menina com um irmão morto.Um livro preto com letras prateadas.Neve.Dois pais de criação.A mulher com punhos de ferro.O enrolador de cigarros.Um judeu escondido no porão.Palavras……e bombas.
. Eis um pequeno fato .Você vai morrer.
A pergunta é: qual será a cor de tudo nesse momento em que eu chegar para buscar você? Que dirá o céu?
. Uma pequena teoria .As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim,mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidãode matizes e entonações a cada momento que passa.Uma só hora pode constituir em milharesde cores diferentes — amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.
Primeiro aparece uma coisa branca. Do tipo ofuscante. É muito provável que alguns de vocês achem que o branco não é realmente uma cor, e todo esse tipo batido de absurdo. O branco é sem dúvida uma cor e, pessoalmente, acho que você não vai querer discutir comigo.
. Um anúncio tranqüilizador . Por favor, mantenha a calma, apesar da ameaça anterior.Sou só garganta…Não sou violenta.Não sou maldosa.Sou só um resultado
Ei, acorde! Ela não está atrás de você, ela sequer procura você. Ela só chega quando é tarde demais. E faz o seu trabalho.
Como eu falei, parece muito mais humano passar as sensações que um livro possa trazer.
Alegria
.Ternura.Tristeza.Euforismo.Solidão.Orgulho.Medo……e a Morte.
Foi nos livros que Liesel viu a
oportunidade
de fugir daquilo tudo que a perseguia. Ela esquecia do irmão morto com um olho aberto, no chão do vagão do trem.
Ensinaram-na a ler. Um certo enrolador de cigarros e um acordeonista.
No abrigo, durante os bombardeios, ela sacudia as palavras para manter todos mais calmos. E longe de mim. Era a sacudidora de palavras.
Até que um dia ela escreveu seu próprio livro.Até que um dia as sirenes não tocaram para avisar sobre as bombas.Até que um dia a rua Himmel foi devastada.Até que um dia só sobrou a menina que roubava livros nos escombros de um porão raso demais para suportar.
Uma sobrevivente.Um acordeão quebrado.Um beijo tarde demais.Um livro perdido e devolvido em tempo.
Venha comigo, quero lhe contar uma história. Vou lhe mostrar uma coisa.
. A nota final de sua narradora . – Os seres humanos me assombram.


Esse foi um pouco do livro. Leitura densa, mas também contemplativa. Triste, mas relata um momento real na visão de uma menina. Interessante, não deixem de apreciar.

Ter ou não ter namorado


Dedico esse texto de Drummond para meus amigos que tem medo. Medo de se entregar. Medo de se adaptar. Medo de se misturar com o outro. Medo de limitar a liberdade. Medo de deixar de ser um só, para ser um casal. Medo de se decepcionar. Medo de sentir. Medo de amar sem ser correspondido. Medo de amar mais que o outro.

O novo, o outro, o diferente, tudo dá sim, muito medo. Mas, vale a pena viver uma, duas, três ou mais paixões, ir buscando até acertar. Se não deu, vira a página. Chora e se refaz.

Todo relacionamento tem suas adversidades, mas ter ao lado uma boa companhia, um amigo, amar e sentir-se amada, trasforma todos os problemas em um pretexto para fazer as pazes e tudo ficar ainda melhor.
Depois de dizer isso tudo, não posso deixar de dizer só mais uma coisinha. Te amo, namorado!

"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrimas, nuvens, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, namorado mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito,mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção.
A proteção não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira;basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar.
Se você tem três pretendentes, dois paqueras,um envolvimento e dois amantes,mesmo assim não tem nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva,cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria e drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho,quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos com a infelicidade.
Namorar é fazer pactos com a felicidade,ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas;de carinho escondido na hora em que passa o filme;de flor catada no muro e entregue de repente;de poesia de Fernando Pessoa, Vinicius de Moares ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; da ânsia enorme de viajar para a Escócia de avião ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor,nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não descobre a criança própria e a do amadoe sai com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show de Milton Nascimento, bosques, ruas de sonho ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos,quem não se chateia com o fato de seu amado ser paquerado.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repenteno fim de semana, na madrugada ou meio dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com as margaridas ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado,saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flautae do céu descesse uma névoa de borboletas,cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessárioa fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido."


(Drummond)

"A palavra é o meu domínio sobre o mundo." Clarice Lispector

Basta de violência!

Ao chegar ontem do trabalho, escutei comentários dos vizinhos sobre um crime que aconteceu bem próximo da minha casa. Em plena luz do dia, no horário do almoço, um rapaz foi assassinado após uma tentativa de assalto.
Hoje pela manhã, assistindo o noticiário soube mais detalhes do caso. O rapaz de 28 anos, que era turismólogo e professor, fugiu ao perceber que seu carro ia ser assaltado, e foi alvejado por uma pessoa (se é que podemos chamá-lo assim) ainda desconhecido, que abandonou a arma no local e no final das contas, não roubou nada.
O que esse rapaz fez de mal para ser vítima de tamanha violência? Esse assaltante desumano, que apesar de sabermos que é fruto da sociedade injusta que vivemos, deve ter além de tudo uma maldade enorme no coração. Tirar a vida de alguém que ele nunca viu antes, que não sabe da sua história, do quanto estudou e batalhou por seus ideais, nem sabia ao menos onde morava e o amor que seus familiares tinham por ele. O rapaz teve medo de uma arma de fogo apontada para ele e fugiu, e por esse motivo foi penalizado. A pior pena que alguém pode receber, que é a morte.
Essa pessoa morta ontem, foi mais uma das vítimas da violência que assombra nosso Estado, que está chegando cada vez perto das nossas casas, das nossas vidas.
Quem hoje na cidade do Recife, não esteve frente a frente a uma arma de fogo durante um assalto? São poucos que não tiveram essa péssima experiência. Eu mesmo já tive várias vezes uma arma apontada em minha direção e ai de mim, se tivesse corrido ou mesmo pedido socorro, com certeza não estava aqui para postar esse "desabafo" no blog.
Temos o direito de ir e vir. Estamos presos dentro de um sistema onde os criminosos mandam.Vivemos no faz de conta que está tudo bem, senão não saímos de casa e nem mantemos nossa vida social, é melhor fingir que nada acontece e ir levando a vida. Mas, não podemos nos calar diante do caos que está a nossa cidade. Ontem foi aquele rapaz bem perto da minha casa, amanhã pode ser alguém da nossa família, um amigo ou até nós mesmos.
A sociedade e o Estado precisam se mobilizar e buscar soluções.Nossa cidade está em guerra civil, e não podemos nos privar do direito de andar na rua, de comprar algo para não ser roubado, de vivermos isolados vítimas do medo.
Basta!

40º à sombra



Nos últimos tempos estamos ouvindo falar bastante sobre o aquecimento global. Mas, apesar de ter uma breve noção sobre o tema, me peguei fazendo vários questionamentos. Assim, como não sou a única a ter dúvidas, resolvi pesquisar para me interar mais sobre esse tema tão "polêmico" e também descobrir meios de contribiuir com a causa ambiental.

O aquecimento global, como o próprio nome já diz, é o aumento da temperatura média do ar perto da superfície da terra e dos oceanos, a mudança climática em escala global. É perceptível que o calor está cada vez mais forte, e ouvimos com frequência falar sobre tragédias relacionadas com os fenômenos da natureza, tais como enchentes, furacões, avanço do mar, entre outros. Essa variação climática tanto é causada pela própra natureza, como por nós, os homens.No nosso estado é claro o avanço do mar, os prédios da orla de Candeias são um exemplo claro do quanto o mar está mais próximo e como é grande o seu poder de destruição.
Minha dúvida é, como posso contribuir direta ou indiretamente para o controle do aquecimento global? Pesquisando descobri algumas formas de agir de maneira ecológicamente correta. São elas:

* Diminuir o uso de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, querosene) e aumentar o uso de biocombustíveis (exemplo: biodíesel) e etanol.
* Os automóveis devem ser regulados constantemente para evitar a queima de combustíveis de forma desregulada. O uso obrigatório de catalisador em escapamentos de automóveis, motos e caminhões.
* Instalação de sistemas de controle de emissão de gases poluentes nas indústrias.
* Ampliar a geração de energia através de fontes limpas e renováveis: hidrelétrica, eólica,
solar, nuclear e maremotriz. * Evitar ao máximo a geração de energia através de termoelétricas, que usam combustíveis fósseis.
* Sempre que possível, deixar o carro em casa e usar o sistema de transporte coletivo (ônibus, metrô, trens) ou
bicicleta.
* Colaborar para o sistema de coleta seletiva de lixo e de reciclagem.
* Recuperação do gás metano nos
aterros sanitários.
* Usar ao máximo a iluminação natural dentro dos ambientes domésticos.
* Não praticar
desmatamento e queimadas em florestas. Pelo contrário, deve-se efetuar o plantio de mais árvores como forma de diminuir o aquecimento global.
* Uso de técnicas limpas e avançadas na agricultura para evitar a emissão de carbono.
* Construção de prédios com implantação de sistemas que visem economizar energia (uso da energia solar para aquecimento da água e refrigeração).
É fácil! Vou fazer a minha parte, façam vocês também!

"O barquinho vai, a tardinha cai..."


Amizade é como um barco de pesca. Ele vai todos os dias para o mar, e volta cheio de peixes e histórias de pescador. Assim são os amigos. Em um determinado momento da vida, nossos amigos traçam seus próprios caminhos. Mas, o vínculo continua lá, apesar da distância. Li uma vez, que "quando existe afinidade qualquer reencontro é um reinício", não lembro quem foi o autor, mas concordo plenamente. Acontece assim com as amizades, apesar das adversidades, quando verdadeiros amigos se encontram tudo volta a ser exatamente como antes.

O tempo e, principalmente a falta dele, faz com que muitos dos nossos amigos se percam na nossa história, e aí muitas vezes perdemos o fio que nos ligava. Eu erro bastante em não organizar o meu tempo para poder dividí-lo igualmente entre trabalho, família, amor, comigo e com meus amigos queridos. Muitos deles me procuram mas nunca sobra tempo, eu nunca tenho tempo. Mas, na verdade sobra tempo sim e muito, eu que me dispersei e me desorganizei nos meus minutos. Sei que todos os meus amigos estão no meu coração, tanto quanto estou nos deles, mas a ausência é injusta. Hoje lembro o quanto preciso dos meus amigos. O quanto eles são essenciais na minha vida. Eles são a minha história. Sinto saudades de vários e nem sei por onde começar a procurá-los.

Vou com meu barquinho pescando cada um deles de volta para minha vida, trazendo muitas histórias de "pescador" para contar e tendo certeza que escutarei tantas outras.

Eu te amo porque eu te amo


"Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça e com amor não se paga.
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no elipse.

Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam ) a cada instante de amor."
(Carlos Drummond de Andrade)

Tropeços X Aprendizado



Recebi esse texto por email e achei bem interessante. É sobre relacionamentos e pelo que diz é de Arnaldo Jabour, apesar que vi uma entrevista dele dizendo que nem sempre os textos divulgados na internet foram escritos por ele. Mas, quem escreveu, seja o Arnaldo ou um anônimo, visualizou bem como as histórias nos relacionamentos amorosos acontecem e que nós temos que aprender a lidar com as adversidades, tocando a vida.

Vejam se vocês concordam.



"Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: 'Ah,terminei o namoro...''Nossa,quanto tempo? ''Cinco anos...Mas não deu certo...acabou 'É não deu...'Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?E não temos esta coisa completa.Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta..Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer...A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?"


Arnaldo Jabour

"A felicidade não se guarda: é para consumo imediato."

A felicidade sim, é para ser consumida de imediato e COMPULSIVAMENTE.

Consumir ou não consumir, eis a questão


Atualmente o Capitalismo é definido como um sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção e propriedade intelectual, na obtenção de lucro através do risco do investimento, nas decisões quanto ao investimento de capital feitas pela iniciativa privada, e com a produção, distribuição e preços dos bens, serviços e recursos humanos afetados pelas forças da oferta e da procura. Para tanto, todos nós recebemos milhões de informações todos os dias, através de propagandas impressas, na televisão e tantos outros diversos veículos de comunicação de massa todos com o objetivo de vender, para ser mais clara, produzir e gerar demanda. O "mantra" do século XXI é: consumir, consumir, consumir...

As influências são enormes, a moda, os lançamentos de novos equipamentos eletrônicos, carros "hi-tech" e tudo que se puder invertar de "necessário". Porque a partir do momento que muitas pessoas começam a ter um determinado produto, ele se torna "necessário", pelo menos é assim que é imbutido na cabeça dos consumidores através de intensas companhas de marketing feita pelas empresas. Até as crianças sentem esses estímulos, pois se uma delas não tiver o brinquedo do momento, aquele do comercial de TV, ela pode vir a ser excluída pelo grupo. Assim, acontece também nos ambientes sociais e profissionais, o progresso, o crescimento econômico e o estímulo da mídia, faz com que o "ter" muitas vezes seja associado ao poder e ao status, sejam um suporte para alguém ascender no seu meio social.

A vaidade é uma capacidade natural do ser humano, gira em torno do cuidado com o físico e com os bens conseguidos ao longo da vida. Mas, ela é extremamente prejudicial quando é associada a bens de consumo supérfluos, ao ter o que muitas vezes não cabe no bolso, gerando uma necessidade muitas vezes inconsciente de comprar de forma desenfreada, e isso tudo é fruto do capitalismo e é um fenômeno da sociedade contemporânea.

A intensa campanha das empresas produtoras nos influênciam e é difícil sim, fugir das garras do consumismo. Mas, temos que ter uma visão crítica das nossas reais necessidades e do que é importante para nossas vidas. O nosso dinheiro é ganho com muito suor do trabalho, por isso ele deve ser valorizado até o último centavo.

Consumir ou não consumir? Sim, mas com moderação. Consumo responsável.

Eu estou aprendendo dia-a-dia essa lição.



Anjo de quatro patas


Desde tempos remotos, o cachorro é considerado pela maioria dos criadores como o seu melhor amigo. Talvez seja, porque é uma relação recíproca, tanto da parte dos criadores como do cãozinho. É um amor puro e sem interesses.
É muito gratificante você ver a alegria do seu bichinho, seja lá a raça e tamanho, quando você chega em .casa e ele pula, roda em sua volta, late, demonstrando que está feliz. Além de amigos fiéis, eles são uma fonte inesgotável de diversão e carinho.

Essa aí da foto é minha cadelinha Malu, quando ainda era uma filhote.

Cinema à dois

O meu amor é sim, um filme. Mas, também tem um pouco de novela mexicana. Uma pitada de comédia romântica, com encontros e desencontros. Um galã e uma mocinha sonhadora. Ação sem violência, claro. Drama, só para fazer charminho. E, o suspense de esperar o que vem pela frente.

"- A gente devia ser como o pessoal do filme, poder cortar as partes chatas da vida, poder evitar os acontecimentos!"

video

Dia da Labuta


O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.


Pesquisa: Site Cultura Brasil

Cidade poesia



"Eu ando pelo recife, noites sem fim

Percorro bairros distantes sempre a escutar

Luanda, luanda, onde está?É alma de preto a penar

Recife, cidade lendária

De pretas de engenho cheirando a banguê

Recife de velhos sobrados, compridos, escuros

Faz gosto se ver

Recife teus lindos jardins

Recebem a brisa que vem do alto mar

Recife teu céu tão bonito

Tem noites de lua pra gente cantar

Recife de cantadores

Vivendo da glória, em pleno terreiro

Recife dos maracatus

Dos tempos distantes de pedro primeiro

Responde ao que eu vou perguntar:

Que é feito dos teus lampiões?

Onde outrora os boêmios cantavam

Suas lindas canções."


Recife, Cidade Lendária - Capiba

Moda: um veículo de comunicação.

Todos os dias ao sair de casa, nos deparamos com o nosso guarda-roupa. Por trás dessa atitude tão comum ao cotidiano de todas as pessoas, a escolha de determinadas peças tem, além de características funcionais, a intenção de expressar o que esse indivíduo é ou como ele deseja ser percebido pelos outros. A maneira como cobre seu corpo é uma forma de mostrar seus gostos, sua classe social, seu tipo de trabalho, enfim, quem ele é. Uma tentativa de agradar o grupo ao qual pertence ou deseja se inserir.
Nós temos nossa forma particular de nos comportar e de interagir com a sociedade, buscando inconscientemente nos comunicar. Dentro dessa necessidade está a moda. "Com a moda começa o poder social dos signos ínfimos, o espantoso dispositivo de distinção social conferido ao porte das novidades sutis" (Gilles Lipovetzsky). A moda é a forma que cada um se mostra individualmente para a sociedade. O vestir, usar certas indumentárias e adquirir novos hábitos, são a forma que usamos de nos ajustar a realidade. Assim, estamos também reproduzindo estímulos que nos rodeiam, estamos nos comunicando fazendo uso da moda. É o prazer de ver e ser visto, favorecendo assim a observação.
A forma que nos vestimos diz muito sobre nossa personalidade. É a forma que nos mostramos para os outros, a nossa identidade visual.

O poder da notícia



Recebi esse email ontem, achei ótimo!


O Poder da Notícia

Chapeuzinho Vermelho na imprensa - Diferentes maneiras de contar a mesma história:

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...'.

(Fátima Bernardes): '... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.
PROGRAMA DA HEBE
'... que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'
CIDADE ALERTA (Datena):
'... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.'
REVISTA VEJA

Lula sabia das intenções do lobo.
REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.
FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.
O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente
ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.AQUISangue e tragédia na casa da vovó
REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'
PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)Veja o que só o lobo viu.
REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)Lenhador mostra o machado
SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade ?
DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver
Diário OficialINSS
aposenta a vovozinha e dá cartão do bolsa familia para Chapeuzinho Vermelho.


“Nós acabamos com a briga entre o samba e rock. Unimos Jimi Hendrix com Ataulfo Alves”


Há mais ou menos 40 anos, quando o Brasil sofria com o auge da repressão da ditadura militar, nascia, em um apartamentinho de Salvador, o grupo Novos Baianos. Os jovens músicos viveram uma anarquia saudável, uma liberdade criativa e uma filosofia de coletividade que resultou em nove discos. Um deles, Acabou Chorare (1972), está entre os melhores álbuns da história da música popular brasileira. Músicas e histórias para contar não faltam. Afinal, os dez anos que passaram juntos, ou melhor, grudados, foram tempos vividos intensamente e de muita fartura produtiva. Desde o comecinho, quando Moraes Moreira, de Ituaçu, e Galvão, de Juazeiro – que se conheceram por intermédio de Tom Zé –, imediatamente produziram muitas músicas, várias delas rabiscadas nas paredes do quarto na capital soteropolitana. Moraes compunha as melodias, Galvão escrevia as letras, faltava alguém que cantasse. Aí conheceram Paulinho Boca de Cantor e depois Baby (a única que não é baiana, mas de Niterói) e Pepeu Gomes. A banda se completou com Dadi, Jorginho, Baixinho, Bolacha e Charles Negrito. Muito ligados aos alunos do curso de Ciências Socias da Universidade da Bahia, tocavam nas festas da faculdade que eram frequentadas por um pessoal bem enfronhado no meio cultural baiano. As noites passadas no antigo Bar Brasa, no Rio Vermelho, o point boêmio da cidade, também renderam bons contatos. Numa dessas Caetano Veloso foi falar com eles: “Vocês são Moraes e Galvão? Já soube que são bons”. A projeção foi rápida e Caetano ficou amigo, inclusive escreveu o programa do primeiro show oficial do grupo. Evento que, por sinal, foi adiado uma vez porque eles cederam a banda para o show de despedida de Caetano e Gil, que estavam indo para o exílio. Finalmente o show O Desembarque dos Bichos aconteceu com eles irrompendo no palco do Teatro Vila Velha de um disco voador de papelão. Irreverência e inventividade viraram sua marca. Tudo era feito de maneira prazerosa, divertida, e a música era o que possibilitava isso. Mistura fina Baby era a única mulher. Com seus 17 anos, era a mais nova e também a mais ousada. “Ela trazia a modernidade”, diz Galvão, o mais velho, o poeta e o mais estudado. Cada um dos integrantes carregava identidade e formação musical próprias. Em comum, a paixão pela música. Assim, juntaram as bagagens e rumaram para o Rio de Janeiro. A cidade com certeza abraçaria essa nova safra de criadores. E abraçou. A turma recém-chegada alugou um apartamento em Botafogo. Dinheiro ainda não era problema: consta que chegaram a pedir trocados na rua quando houve necessidade. “Morávamos juntos, comíamos o que dava, mostrávamos como realmente éramos”, afirma Paulinho Boca, citando a convivência intensa como um dos fatores fundamentais para o sucesso do grupo. “Nossa vida era um eterno ensaio e o processo criativo não parava”, diz. Mas eles tiveram ainda muitos outros méritos. A vivência musical diversificada certamente foi um deles. Moraes tinha no sangue a cultura do recôncavo, era fã de Luiz Gonzaga. Galvão, amigo de João Gilberto, também de Juazeiro, achava a Bossa Nova a coisa mais inovadora do mundo. Paulinho era cantor da orquestra Carlitos, que tocava em festas. Pepeu, nossa versão hendrixiana, tirava na guitarra os acordes do rock, e Baby era a moderninha de plantão. Junte a tudo isso os constantes encontros com João Gilberto ainda no apê de Botafogo, as visitas frequentes de Caetano e Gal Costa... Foi João Gilberto que mostrou a eles a beleza dos sambas das décadas de 30 e 40. Um dos maiores sucessos foi a interpretação que fi- zeram de “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente. “Nós acabamos com a briga entre o samba e rock. Unimos Jimi Hendrix com Ataulfo Alves”, afirma Moraes Moreira. Mistura fina Como todos os jovens da época, os Novos Baianos também viviam num clima de paz, amor, música e... drogas. “Tínhamos uma visão romântica da situação. Não existia o esquema pesado de tráfico que se vê hoje. Nem todo mundo experimentou e ninguém era viciado”, diz Paulinho. Galvão lembra, divertindo-se, que cocaína era caretice para eles. O barato era maconha e ácido, mas tudo já passou e teve sua utilidade, como ele mesmo brinca: “Acho que por isso não viramos terroristas. Eu mesmo, antes de entrar para os Novos Baianos, cheguei a bolar com um amigo um plano para sequestar um avião em Petrolina para lutar na guerrilha do Araguaia. Aí fumei um baseado e acabei desistindo”. Apesar de tudo, eles não eram doidões ou irresponsáveis. Eram mais da linha maluco beleza. Eram vegetarianos e se interessavam por espiritualidade. Não é de espantar (muito) que hoje a carreira da Baby seja focada em música gospel. Galvão conta que muitas noites eles liam a Bíblia e havia uma crença respeitada por todos: a casa precisava estar sempre limpa e bem cuidada para que a criatividade fluisse, os contratos aparecessem, só coisas boas acontecessem. E aconteciam como por milagre, “o milagre baiano”, como gosta de dizer Moraes Moreira.A repressão política rolava solta naqueles anos e é difícil entender como os Novos Baianos não caíram nas garras do autoritarismo vigente. Cada um tem sua teoria sobre isso. Para Paulinho, a repercussão da prisão de Caetano e Gil foi muito grande e ruim para os militares, que, por isso, resolveram deixar a turma em relativa paz. Moraes diz que a patota de verdeoliva não mexeu com eles porque não sabia bem como enquadrá-los: “Comunistas eles tinham certeza que não éramos, nos achavam uns hippies e só. Nossas figuras estéticas – roupas, cabelões – eram nossa forma de protesto”. Ainda bem que eles ficaram no Brasil e puderam lançar o primeiro disco.


Pesquisa: Site uol/ wikipédia/ Revista Vida Simples

Beleza é fundamental?


Que me perdoe o "poetinha" Vinícius de Moraes, mas ele foi infeliz quando escreveu essa frase anos atrás. O próprio Vinícius não tinha nada de bonito, mas mesmo assim seus encantos fizeram com que fosse um grande conquistador e se casasse 9 vezes.

Beleza é uma questão subjetiva, o que é belo para um, é feio para outro. Cada um de nós temos nossas características pessoais, que nos faz ser particularmente especiais. Assim, os padrões de beleza são injustos e preconceituosos.

Hoje em dia temos os exemplos das "mulheres fruta", bonitas, "gostosonas", com suas roupinhas minúsculas, mas quando abrem a boca, corram! É uma "metralhada" de bobagens sem fim. Sem hipocrisia, todos nós julgamos pela aparência. Quando olhamos alguém pela primeira vez, imediatamente criamos uma opinião, positiva ou negativa. É indiscutível que beleza abre portas pessoais e profissionais. Mas, se a pessoa for vazia, essas portas fecham imeditamente.

Desde a semana passada só se fala de Susan Bayle, mulher "feia" americana que participou de um programa musical e encantou o mundo com sua bela voz. Sim, mas o que tem de mais alguém ser feio? Não entendo a repercussão desse assunto. A grande maioria da população mundial foge a regra quando se trata de padrões de beleza, e temos milhões de talentos espalhados por toda parte, que nada tem a ver com atributos físicos.

Ter uma bela "casca" não é o mais importante, é preciso ter cuidados com seu corpo, saúde, higiene pessoal, estar adequadamente vestida e ter uma boa dosagem de charme. E, alguém é ainda mais bonito quando além de cuidar do exterior, sabe se comportar bem nos lugares, fala corretamente e tem conteúdo.

Uma pessoa é bonita mesmo quando se ama e valoriza seus pontos fortes. Ponto final!

"Quem não se comunica, se trumbica"


O Chacrinha tinha toda razão. A comunicação é de extrema importância na dinâmica da sociedade e a forma que é transmitida ainda mais. É só lembrar da brincadeira de criança do "telefone sem fio", no final a frase inicial sempre está completamente diferente, assim acontece quando a comunicação é feita de forma aleatória e descompromissada.
A Comunicação Social e suas diversas áreas, tem como principal objetivo o repasse de informações precisas, de forma clara e em tempo hábil. Sem os veículos de comunicação, viveríamos como eremitas.
Nos tempos de hoje, as informações são repassadas ao mesmo instante em que ocorre o acontecimento. É só ligar o computador, abrir um site confiável e "puf", está lá a notícia. Sem falar da publicidade que está estampada no nosso cotidiano, viramos mesmo sem consciência, um "produto do meio". E os celulares de última geração?! Na verdade, nem sei se aquilo ainda se chama celular, tem tantas funções, rádio, TV, internet, mp4, GPS, e tantas outras coisas que eu nem conheço, ou seja, um "comprimido" de comunicação, tem tudo ali.
As Relações Públicas em especial, que é a minha formação (quase) e de atuação também, trabalha nesse contexto na forma de pensar e agir estratégicamente de uma instituição ou pessoa física, a força da atividade emerge no “direito social à informação e à participação” dos indivíduos. Para ser mais clara, seu principal objetivo é minimizar os "ruídos" de comunicação, mantendo a harmonia social.
Então, quem tiver com algum problema de imagem, é só me procurar.

Música para os meus ouvidos ♪


A Bossa nova surgiu na década de 50, bem antes de eu pensar em nascer. Ela pode ser velha, usada e abusada, mas é na minha opinião uma das mais ricas manifestações musicais brasileiras. Uma mistura de samba e jazz, com um toque sutil de romantismo e uma dose considerável de boemia. E, boemia é sinônimo de Vinícius de Moraes, jornalista, diplomata, bebedor e apreciador de úisque, e um dos maiores "mulherengos" do período da Bossa, escreveu os textos, poemas e as músicas mais intensas que eu já ouvi. O "poetinha" soube falar do amor como ninguém. Músicas de dor de cotovelo e para sambar até cair a sola do sapato. Toda rodinha de violão tem que rolar um sambinha de Vinícius, eita coisa boa...


E viva a Bossa Nova, a cerveja e o violão!
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